RICARDO XIII E AS REVELAÇÕES DAQUELE NATAL

                                                                                       Imagem : RaneScape Wiki

Por Valentin Ferreira

Naquele pequeno reinado localizado aos pés da colina ao norte, na mais rica província daquele país do Sul, reinava absoluto o rei Ricardo XIII. Seu reinado era marcado pela aparente felicidade e seu povo, que em sua maioria lhe devotava submissão incondicional.

Ricardo XIII, embora popular não era pessoa que vivia no meio de seus súditos. Sua popularidade tinha sido construída pelos “favores” prestados e pela submissão dos que lhe servia ou lhe devia alguma recompensa. Gozava da complacência de todos os meios de comunicação, devidamente compensados pelos “serviços” que lhes prestava na manutenção e harmonia do reinado.

Seus auxiliares diretos mantinham  submissão canina a ele e a nada se opunha ou lhe contradizia. Seguia seus passos com fidelidade e até com certa omissão diante de fatos tidos como prejudiciais ao povo.

Nãoo muito longe do Palácio Real, localizava-se a Casa Legislativa que se mantinha fiel e absolutamente em nada questionava o “grande chefe”. Todos ali, sem exceção, deviam-lhe algum tipo de “favor” e isso lhes impedia de agir em defesa do povo que os escolhera. Aprovava-se tudo da forma como o rei mandava. Até pesado tributo sobre a propriedade, sem o necessário critério de justiça e em época de profunda carestia, foi aprovado sem o menor interesse em dar ouvidos ao povo.

Ricardo XIII era pessoa de muitas posses, diziam. Muitas propriedades. Tinha uma riqueza invejável, estimava outros. Porém, em virtude de sua opção, nada ou quase nada possuía em seu santo nome. Por isso, a grande maioria de seus bens estavam em nome de  amigos. Pessoas que o desconfiado rei as mantinha  muito próximas de seus olhos. Coisas da época.

Sobre esse assunto, nada se falava naquele reinado. Grande parte do povo não entendia porque  a Justiça, que em certo momento desencadeou grande operação contra a corrupção, não tinha olhos para incomodar o “pobre” Rei. Era fato que tal Justiça tinha sido implacável com certos reinados. Mas com  monarca “pobre”  era dócil e compreensiva. Algumas antigas denúncias que constavam contra Ricardo XIII, dormitavam nos palácios judiciais, à espera de providencias relegadas ao tempo.

Embora com fachada  de democrata, Ricardo XIII não era benevolente com os que tinham opiniões contrárias às dele. Qualquer do povo que se levantasse contra ele, logo era perseguido por todos os meios, até que direitos fundamentais lhe fosse tirado. Nem mesmo uma simples opinião era tolerada.

Embora poderoso, Ricardo XIII  não conseguia esconder sua fragilidade. Embora  a disfarçasse, sempre que exigido em defender-se era vulnerável. Talvez  porque  pesasse sobre seus ombros, fatos escondidos que poderiam vir à tona, e assim lhe custar o poder e o trono.

Aquele Natal, mais um entre luzes e espocar de fogos coloridos, embora para muitos parecesse igual aos Natais  passados, não deixou de revelar, embora de forma quase imperceptível, o lado sombrio do “querido e admirado” soberano.

Quando acordou, o humilde narrador da história, ficou se perguntando:  tudo aquilo teria alguma coisa  a ver com  realidade?

 

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