TODOS SOMOS A NAÇÃO.

Por: Valentin Ferreira

TODOS SOMOS A NAÇÃO

“Contra as ideias da força, a força das ideias”. Assim se expressava Florestan Fernandes. Sociólogo e Escritor, falecido em 1995.

Assisto com temor as cenas que Brasília registrou hoje. Dezenas de milhares de pessoas, no seu legítimo direito de manifestação, foram pedir a renúncia do presidente Temer e eleições diretas. Os motivos são mais que justos, já que temos um desgoverno que respira por aparelhos.

É evidente que em situações como esta, aproveitadores e pessoas infiltradas de um lado e de outro vão querer tumultuar e produzir pretextos para os que tem a força e as armas, justifiquem abusos de todo tipo. Nós mortais comuns, cada um com seus valores e princípios tenta construir uma visão para onde iremos e como reconstruir o País.

Lembro que já faz algum tempo que vivemos situações que se poderiam receber a chancela de um estado de exceção. Dispositivos legais são violentados à luz do total desprezo pela observância das regras institucionais. Isto acontece até com quem deveria ser o guardião da  Lei.

Não é demais lembrar aqui que a presidente cassada, o foi, por um motivo acessório se comparado às aberrações de afronta às leis, pelo governo de turno.

O que se espera, é que o Estado, detentor das obrigações de manter a Lei e a Ordem, consiga, simultaneamente, pensar nas razões da Nação. Esta Nação brasileira, ofendida e machucada por práticas de governo que mais lembra a atuação de grupos mafiosos, que pessoas investidas da responsabilidade de governar e promover o bem das pessoas.

Penso numa cena que não gostaria de ver. Deverá ser difícil para comandantes e soldados ter de enfrentar seus irmãos brasileiros, em nome da Lei e da Ordem, e obedecer a um governo que enlameou os mais simples princípios de ética e respeito à Instituição, chamada Presidência da República.

Esta mesma lei estuprada e desprezada, designa o Presidente como Comandante-em-chefe, a quem estes homens e mulheres, têm de obedecer. Sabem eles, que, com, ou sem seus uniformes de guerra e armas letais também são a Nação Brasileira.

Só um governo fraco, que moral e eticamente se definha a cada instante, poderia recorrer à força para tentar ganhar mais alguns dias ou horas no cargo. Sabe Deus a que custo.  Porém, até seus mais próximos colaboradores já começaram a deixar o barco.

Com preocupação lembro os fatos registrados pela história onde os avanços e as conquistas de um povo em busca de uma sociedade melhor e mais justa custaram rios de sangue.

O momento pede o desapego de paixões e de projetos pessoais em nome da construção de um caminho democrático e duradouro para a Nação. Temos líderes que poderão construir uma saída para esta crise. A Nação espera isso seus líderes. Solução que não sejam simples remendos.

O exemplo do mestre Florestan Fernandes coloca um facho de luz em momentos como esse. Que as armas sejam ideias. E mais que isso. Sejam a vontade de superar as barreiras do ódio que pessoas  sem alma colocaram em nosso meio e contaminaram pessoas de bem, sejam elas ricas ou pobres, de direita ou de esquerda, do Norte ou do sul.

Todos somos a Nação.

Valentin Ferreira