PALOCCI PROMETE IMPLICAR LULA, ANDRÉ ESTEVES E ABÍLIO DINIZ

Por : GGN

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Jornal GGN – O ex-ministro Antonio Palocci já iniciou as tratativas por um acordo de delação premiada na Lava Jato com a Procuradoria Geral da República e com a força-tarefa de Curitiba, informou a Folha desta quarta (31).
De acordo com o jornal, os procuradores só aceitaram começar a negociação quando Palocci sinalizou “positivamente” para a possibilidade de confirmar a delação de Marcelo Odebrecht contra Lula.

À Lava Jato, Odebrecht disse que abriu uma conta chamada “Amigo” e lá depositou ao menos R$ 40 milhões à disposição do ex-presidente. O delator afirma que uma parte ajudou a comprar um terreno que o Instituto Lula não chegou a usar. Outros R$ 13 milhões teriam sido sacados por assessor de Palocci.
Outro episódio que supostamente envolve Lula e que Palocci pretende “esclarecer” é o suposto benefício financeiro na criação da empresa Sete Brasil, em 2010.
Ainda segundo o jornal, o escopo da delação de Palocci foi definido no último mês. Além de Lula, ele pretende entregar informações contra André Esteves, do banco BTG Pactual, e contra o empresário Abílio Diniz, do Pão de Açúcar.
“No caso de Esteves, o ex-ministro promete explicar supostas vendas de medidas provisórias no Congresso para bancos privados, nos quais, segundo Palocci, o banqueiro esteve envolvido”, apontou a Folha.
O caso de Abílio envolve a criminalização das atividades de consultoria que Palocci prestou durante governos petistas, quando já não era ministro.
“Sobre Abílio, o petista diz, segundo a Folha apurou, que pode detalhar suposta manobra para tentar mantê-lo no controle do Grupo Pão de Açúcar, em meio à disputa com a francesa Casino. O imbróglio, que durou dois anos, não deu certo e culminou na saída de Abílio do conselho do grupo, em 2013”, acrescentou o jornal.
“Grupo Pão de Açúcar fez pagamentos à Projeto, empresa de Palocci, por meio do escritório do advogado e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014. Notas divulgadas em 2015 pelas partes confirmam as transações. Relatório do Coaf, com dados de 2008 a 2011, mostra que Bastos foi o segundo maior cliente da consultoria de Palocci, com repasses de R$ 5,5 milhões.”
Até o momento, Palocci se reuniu apenas uma vez com os procuradores e foi avisado de que se não entregar políticos com foro privilegiado, “não haveria acordo”.
Além disso, o ex-ministro pode ajudar a Lava Jato a avançar sobre a Zelotes, dando informações sobre esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Palocci está preso desde setembro de 2016. Ele pretende, com o acordo, cumprir apenas um ano de prisão domiciliar.