A FÁBULA DO LOBO E DA OVELHA E A REFORMA TRABALHISTA

Por Valentin FerreiraResultado de imagem para imagens da fabula o lobo eo cordeiroA FÁBULA DO LOBO E DA OVELHA E A REFORMA TRABALHISTA
Por Valentin Ferreira

Para refrescar a memória:

Uma ovelha estava bebendo água no rio quando o lobo apareceu. De dentes à mostra ele pôs-se a berrar: 
– Sua ovelha porcalhona, vou devorá-la por sujar a água que estou bebendo.
– Como posso sujar sua água se estou mais abaixo que o senhor?
– OK – disse o lobo, tratando de achar outra justificativa – então vou devorá-la porque soube que no ano passado você me xingou.
– Como posso tê-lo xingado se no ano passado eu nem tinha nascido? Tenho apenas seis meses.
– Se não foi você, foi seu irmão.
– Como pode ser meu irmão se sou filha única? 


O lobo impaciente, vendo que a conversa já ia longe demais pro seu gosto, berrou furioso:
– Se não foi você, foi seu pai, ou sua mãe, ou seu avô, ou alguém da sua família e, NHAC, devorou a ovelha num bocado.
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MORAL DA HISTÓRIA. Quando as intenções não são boas, não há argumentos convincentes
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Pois bem.

Toda reforma em legislação envolve disputa de interesses. Não é diferente com a reforma trabalhista. É evidente que quem está propondo (atual governo) é quem tem maior interesse. No caso, o governo encampou a demanda do grande empresariado e a toque de caixa quer ver aprovada a reforma. Um assunto que interessa a todo mundo, principalmente os trabalhadores.

O que está em jogo, não é somente a atualização ou alguns pontos da Lei. O que está sendo proposto, segundo especialistas, irá prejudicar e muito os trabalhadores.

Na grande mídia, os  argumentos contrários nem sempre recebem o mesmo destaque que os  colocados pelos que são favoráveis à reforma.

Segundo a deputada Maria do Rosário, “para se ter uma ideia do tamanho do estrago, ela altera, para pior, mais de 100 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e não visa melhorar as condições de trabalho dos brasileiros. Pelo contrário, mantém intocados os grandes problemas que são levados ao conhecimento da Justiça do Trabalho”.

Em entrevista à Revista Carta Capital, Maria Aparecida da Cruz Bridi, professora de Sociologia da Universidade Federal do Paraná e membro da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho, afirma que o “argumento do governo de que a reforma serve para gerar empregos é uma falácia, e que essas transformações servem ao empresariado”.

“Que nação vamos construir ao abrir mão da possibilidade de reduzir a desigualdade? O que é uma sociedade que não visa garantir empregos? ”, questiona a pesquisadora.

 

Neste debate, pouco se tem falado sobre distribuição de renda. Sabemos que um dos meios de transferência de renda é através da remuneração decente do trabalho. É o mínimo a garantir. O ganho salarial é o instrumento básico para reduzir o escandaloso abismo social existente no Brasil.

É, mas lobo é o lobo.

Ontem, na CAE –Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, foi aprovado parecer, que segue agora para outras Comissões. Veja como votaram os Senadores:

FAVORÁVEIS A REFORMA TRABALHISTA:

Garibaldi Alves (PMDB-RN), Raimundo Lira (PMDB-PB), Simone Tebet (PMDB-MS), Valdir Raupp (PMDB-RO), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), José Serra (PSDB-SP), José Agripino (DEM-RN), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Wellington Fagundes (PR-MT), Armando Monteiro (PTB-PE), Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Sérgio Petecão (PSD-AC), José Medeiros (PSD-MT), Cidinho Santos (PR-MT)

CONTRÁRIOS  A REFORMA TRABALHISTA

Kátia Abreu (PMDB-TO), Roberto Requião (PMDB-PR), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Humberto Costa (PT-PE), Jorge Viana (PT-AC), José Pimentel (PT-CE), Lindbergh Farias (PT-RJ), Otto Alencar (PSD-BA), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Ângela Portela (PDT-RR)

O lobo sempre terá seu$ argumento$.

O  paradoxo  desta história: Quem financia as campanhas políticas em sua grande maioria são os grandes empresários, favoráveis a reforma. Mas quem vota e elege é o povo. É o trabalhador, é a trabalhadora.

Será que os argumentos de defesa da ovelha (trabalhadores e seus defensores) mais uma vez se sucumbirão às força$ e os argumento$ do lobo mercado?

Se as intenções da reforma não são boas, que argumentos podem impedir o sacrifico da “ovelha”?

Para arrematar:

“Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha” – Victor Hugo