INTERNET E REDES SOCIAIS, BIBLIOTECAS E LIXÕES

Por Valentin Ferreira

INTERNET E REDES SOCIAIS,  BIBLIOTECAS E LIXÕES

Valentin Ferreira

Em toda história, nunca as pessoas tiveram tanta disponibilidade de informações e em tantos e rápidos meios. A rede mundial e seus canais revolucionaram a comunicação e diminuíram o espaço e o tempo.

Registros de fatos chegam na a mesma velocidade que partem. Na tela de aparatos multiformes sucedem-se instantaneamente todo tipo de informações com origens nos mais recônditos pontos da Terra.

Acontecimentos trágicos normalmente, ganham potencial e preferência.

O compartilhamento do que é negativo é “mais atraente” que o positivo. Nessa roda viva, acidentes, mortes, catástrofes têm preferência. Um evento que matou dezenas, torna-se pequeno quando em  minutos é substituído por outro de algumas centenas.

A instantaneidade dificulta e as vezes rouba nossa capacidade de assimilação e consequente análise.

E por aí vai.

Às vezes me pergunto: será que esta sucessão de mensagens violentas não vai deixando a gente cada vez mais incessível e “familiarizado” com as cenas de mortes e banalização da vida a ponto de a morte de um ser humano, ser “suavizado” pela notícia de outras que vem logo em seguida?

Noticia-se que uma enchente desalojou centenas de pessoas no Brasil. Logo em seguida, outra notícia informa que um terremoto na China fez desaparecer centenas. Aí a gente pensa: ainda bem que no Brasil não tem terremotos. O grau de indignação é relativizado em função da proporção que alcança. O maior estrago suaviza o de menor proporção, levando a gente a um estado de aceitação como se tudo fosse absolutamente normal.

Não há dúvida que a internet e seus canais de interação, são um dos feitos mais audaciosos da inteligência humana. A dinâmica do vai e vem de conteúdos abarca de tudo. Configura-se por tudo que a retroalimenta, a mistura de grandes bibliotecas com verdadeiros lixões. É um vasto mundo de relações intensas e voláteis.

No caso, as “bibliotecas” e seus conteúdos contribuem com sua essência, e dão sentido às relações. Delas nascem os olhares mais profundos e muitas vezes uma parada para reflexão.

Nos “lixões” multiplica-se o inútil. Dele se aproveitam os boçais. Nele inspiram os delinquentes, que são capazes de torturar alguém com o objetivo único de mostrar aos “amigos” da rede.

Inseridos neste inevitável mundo cibernético, cada um de nós, a seu modo, se “alimenta” do que lhe representa valor.