DOENÇAS TERMINAIS, por Ana Roxo

Por Valentin Ferreira

Por Ana Roxo / no Nocaute

Sabe quando a gente está com algum tipo de sintoma, que pode ser uma doença ou pode ser só passageiro, e demora muito pra ir no médico, fica protelando com medo de que aquilo, de fato, seja uma doença, que você tenha que lidar com a doença, que você tenha alguma revelação de que você tenha que mudar o seu estilo de vida? E aí, finalmente, você vai no médico, passa por uma batelada de exames. Quando vem o diagnóstico, seus maiores medos se confirmam. Diagnóstico de uma doença fatal, irreversível. De uma doença que corrói, de uma doença que te apodrece por dentro.

Sabe quando você tem esse diagnóstico na tua frente? Você consegue imaginar a perplexidade que essa pessoa fica, a falta de perspectiva, a falta de saída, a falta de esperança? Então, a gente protelou demais para fazer esse exame desses sintomas que tinham no país e agora, depois do exame, a gente está se deparando com uma doença corrosiva, um câncer radioativo, uma metástase louca dentro das instituições.

E o que a gente tem é a perplexidade, o horror frente a um problema que a gente olha e fala: e agora? Eu encaro a morte, sem dignidade, porque nessa altura pela indolência de mexer na ferida, o país está completamente tomado pela doença. Todas as instituições corroídas, com os mandatários sem nenhum tipo de respeito pela vontade do povo, como se o povo não existisse. Um presidente que não dá nem vontade de tirar sarro. Não tem nem graça de tirar sarro, porque, de fato, o Temer, é só soltar ele por aí que ele já se autodeprecia. Não tem mais o que fazer. E a gente aqui com a perspectiva de morrer sem dignidade.

Ou muda o caminho da vida e encontra outro rumo, outro sentido e torna a vida necessária, valiosa, interessante. Será que a gente consegue tornar a vida desse país interessante de novo? Será que a gente consegue retomar o caminho? Quais são as terapias possíveis, as alternativas, as terapias holísticas? Quais são as saídas possíveis para gente conseguir sair desse buraco podre que a gente se encontra. Porque eu só vejo o horror, a perplexidade, a ferida pustulenta aberta. Nada mais impressiona. E esse estado de perplexidade, de paralisia, perante o terror, faz com que a gente não tenha muita fé.

Os métodos ortodoxos não estão funcionando. Não adianta a gente ficar se autoflagelando, brigando uns com os outros. Não adianta a gente fazer muita chacota de um presidente “autochacotável”. Quais são os chás que a gente pode tomar? As conversas que a gente pode ter. As mãos que a gente pode dar. As luzes que a gente pode acender para conseguir sair dessa.

Fica a pergunta: pra que lado é a saída? Qual é o sentido?