JÚNIOR, GURU DO MBL

Por Valentin Ferreira / Do Sul21                                                                                                      Foto: Ederson Nunes / CMPA

Por Paulo Muzell(*) 

Eles, o Movimento e o prefeito, têm aparência de novo. Puro engano, eles são o que de mais velho existe. Na economia defendem o livre mercado, a redução dos impostos, o estado mínimo, as privatizações, a extinção de direitos dos trabalhadores e a redução dos gastos sociais. Na política seu DNA é fascista. Em apenas três anos de existência o Movimento Brasil Livre (MBL) já fez consideráveis estragos. Foi criado como arauto e força de choque do que mais atrasado existe no país.

Primeiro adotaram Bolsonaro como guru, assumindo sua defesa quando o deputado, fascista confesso, homofóbico, defensor da ditadura militar e da tortura afirmou que “não se deve estuprar mulher feia”. Mais tarde romperam com Bolsonaro, segundo se comenta, se aproximando do PSDB. Apoiaram Aécio em 2014 e participaram dos movimentos que pediam o impeachment de Dilma. O Movimento é financiado e apoiado pela bancadas evangélica (da bíblia) e ruralista (do boi) da Câmara e de entidades empresariais. Comenta-se, também, que recebem recursos do exterior. Apoiam incondicionalmente a Lava Jato e se posicionaram contra o projeto de lei contra o abuso de autoridade.

Já o Júnior é um político jovem, na faixa dos quarenta, que, como o MBL, defende com unhas e dentes o thatcherismo, um ideário posto em prática na Inglaterra dos anos oitenta e cujos resultados foram desastrosos: salários menores, aumento do desemprego, ataque aos direitos dos trabalhadores, redução dos gastos em educação, saúde e assistência social. O resultado disso tudo é o que a oligarquia almeja: concentrar a renda e o poder.

Rompendo com Bolsonaro, o MBL escolheu o Júnior como seu novo guru nacional. O Júnior é íntimo de Aécio, votou a favor do impeachment de Dilma, é um neoliberal convicto. Acompanhou o MBL no apoio incondicional à Lava Jato e no repúdio ao projeto de lei contra o abuso de autoridade. Irmãos siameses, o Júnior e o MBL odeiam o servidor e o serviço público. Assim, nada mais natural que o MBL desembarcasse em Porto Alegre para participar e colaborar com o governo Júnior. Ramiro Rosário, Secretário de Serviços Urbanos, um dos órgãos mais importantes da Prefeitura, é membro do MBL. Renan Santos, um dos coordenadores nacionais do Movimento virou uma espécie de assessor de imprensa e porta voz do Gabinete do Prefeito. Em entrevista à ZH afirmou que colabora com o Júnior dando dicas para ele aparecer mais. O MBL funciona, também, como milícia de choque.

Certamente por influência de seu novo assessor de marketing Júnior dias atrás postou nas redes sociais uma verdadeira “pérola”: referindo-se às festas juninas ele sentenciou: …”se você pertence a certos partidos vermelhos está proibido de formar quadrilha”. Júnior, um político que apoiou o golpe que colocou no poder Temer e sua quadrilha, que é correligionário e íntimo de Aécio, um político indiciado em vários processos por corrupção e com gravações explícitas e comprometedoras tornadas públicas não tem o direito nem legitimidade para fazer uma declaração como essa, oportunista e leviana.

Na sua trajetória de destruição do serviço público municipal ele, que recuara na tentativa de impedir a obrigatoriedade do pagamento da reposição da inflação do dissídio deste ano teve quarta passada uma vitória. Não repôs a inflação, o que já deveria ter feito em maio e ainda reduziu os salários ao aumentar o desconto previdenciário dos servidores de 11% para 14%. O Júnior há poucas semanas atrás não tinha maioria na Câmara, segundo se fala porque não “conquistara as graças” de oito vereadores “independentes”, que ainda não integravam a bancada do governo. Acabaram aderindo.

  • Paulo Muzell é economista.
  • Fonte: http://www.sul21.com.br/