O GOZO DA VIDA NO CEMITÉRIO

Por Valentin Ferreira cemiterio
O CAPITALISMO E O GOZO DA VIDA NO CEMITÉRIO.

Por Valentin Ferreira 

Ganhou dinheiro a vida toda. Ficou rico e morreu como pobre. Não pobre no sentido miserável, humilde. Mas no sentido muquirana. Mão de vaca. Pão duro. Quem já não ouvir história parecida?

Quantos existem, e já conheci alguns, que passaram a vida inteira acumulando bens materiais, dinheiro e outras propriedades, e ao partir para “uma melhor” deixar tudo aí, sem desfrutar de nada. Ou ser um pouco mais generoso com as pessoas. Aqui não falo de esmola, más, da partilha do dom que recebeu.

É muito interessante a ânsia da acumulação de bens. A regra é: quando mais tem, mais quer ter. Quanto mais tem, maior preocupação em sustentar o acumulado. Como será que  é viver nesta roda vida, a cada dia, todos os dias, uma vida toda? O clube  não é privativo somente dos donos de grandes fortunas ,mas também de pequenos “capitalistas” que assimilaram e praticam a reza e os mandamentos do cifrão, com tanta gana quanto.

Quem é dono de quem?  Eis uma pergunta que nenhum capitalista convicto gostaria de se fazer. Afinal ele é dono de tudo. Ele é quem dá as regras. Mas a bem da verdade, na hora de decidir, a voz mais forte e convincente vem da força do patrimônio, que além de precisar ser preservado, precisa ser aumentado. Daí, é se submeter às imposições do capital.

Dizem que ser rico não é pecado. Também acho, desde que a riqueza não tenha sido conquistada às custas do empobrecimento de outros. Ou causado prejuízo a outros. Parece ser raro tal exemplo.

De todo modo, não dá para aceitar um sistema, que, para que alguns poucos fiquem milionários outros tenham que se sucumbir às mais deprimentes condições da vida humana. Às vezes até a morte.

Nem entre os animais existe regra tão absurda.

Os homens e mulheres que deixaram grandes exemplos na história humana, a grande maioria, foram pessoas de poucas posses. E os ricos que fizeram parte deste time, embora muito ricos, tiveram a grandeza de se tornarem humildes de coração e despojados de seus bens materiais.

A morte, se castigo ou prêmio é comum para todos. Assim como a última morada. Lá todos se parecem iguais. Alguns, com toda grana que tinham, devem estar pensando…