O “BBB” DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Por Valentin Ferreira

Qualquer adjetivo depreciativo, incluindo os mais robustos, não daria a qualificação adequada ao descaramento da maioria dos Deputados que votaram favoravelmente a Temer no dia ontem

A mentira e o cinismo ficavam estampados na cara de pau de muitos parlamentares na justificativa de voto.

OJornalista  Luiz Carlos Azenha  do Viomundo, (texto abaixo), retrata como  Temer conseguiu se safar da denúncia e nas rachaduras provocadas pela votação de ontem ,  aposta  pesado no chamado bloco  BBB da Câmara. Grupos  representantes de setores de interesses, chamados do “Boi, da Bíblia e da Bala”.

Confira a matéria

da Redação do Viomundo

O Centrão assumiu diretamente o poder, sem intermediários, pela primeira vez desde os mandatos de FHC, Lula e Dilma.

Foi consequência da votação desta noite, em que Michel Temer obteve os 172 votos necessários a barrar a denúncia da Procuradoria Geral da Justiça contra ele no Congresso.

PSD, PP, PR, PTB, Pros, SD e PSC lideraram o bloco que salvou Michel Temer, além do PMDB.

O autor do relatório que salvou Temer foi o deputado Paulo Abi-Ackel, do PDSB mineiro, que pretende ser o herdeiro político de Aécio Neves.

O ex-presidente do PSDB, acusado ao lado de Temer nas delações da JBS, jogou pesado nos bastidores para salvar o ocupante do Planalto — e abater as acusações feitas contra ele pela PGR.

A rachadura desmoraliza os tucanos: Aécio conseguiu os votos da veterana Yeda Crusius e da novata Bruna Furlan a favor de Temer, mas não os de Mara Gabrilli e do pernambucano Daniel Coelho, por exemplo.

A sessão teve poucos momentos risíveis em comparação àqueles da votação que abriu processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

O deputado Marco Feliciano, por exemplo, votou em favor do relatório argumentando que a derrota de Temer significaria “a volta do PT ao poder”.

O deputado Victório Galli, do PSC de Mato Grosso, votou por Temer e contra a “identidade de gênero” nas escolas.

O deputado Ezequiel Teixeira, do PTN do Rio, votou “contra o comunismo”.

Apoiadores de Temer tentaram ressuscitar o surrado antipetismo para defender a quadrilha que ocupa o Planalto.

Grande parte dos que votaram para enterrar a denúncia argumentaram pela “estabilidade econômica”, num momento em que o Brasil tem 14 milhões de desempregados, rombo recorde nas contas públicas, cortes nos direitos sociais e quebradeira generalizada.

Discursaram como se a recuperação econômica fosse um fato, desconhecendo o desejo expresso em pesquisas por mais de 90% dos entrevistados: o de que Temer deve ser investigado.

Segundo o jornalista Fernando Rodrigues, do Poder 360, já prevendo a vitória o Centrão articula lançar o ministro da Fazenda Henrique Meirelles como candidato do grupo em 2018.

Temer obteve os 172 votos necessários à rejeição da denúncia às 20h30m, com 145 votos contra e 13 ausências àquela altura.

O placar final foi de 263 votos pró-Temer, 227 contra e 21 abstenções.

A decisão da Câmara deve aprofundar a crise econômica, política e social e colocar Temer cada vez mais no colo das bancadas fisiológicas que dominam o Congresso, a começar do Boi, Bala e Bíblia.