QUEM PERDE E QUEM GANHA COM O RESULTADO DA VOTAÇÃO DENÚNCIA-TEMER.

Postado por Valentin Ferreira/ do Conexão Jornalismo /Fábio Lau

Por Fábio Lau

A vitória de Temer na Câmara dos Deputados, que rejeitou, por 263 votos a 227, a denúncia do PGR que pretendia oferecer seu cadáver ao STF, provoca um saldo político que não pode ser desprezado. Flagrado em gravação conversando em termos nada republicamos com um dos principais empresários do país, Joesley Batista, quando negociava propina a ser entregue a Eduardo Cunha, na prisão, Temer, embora com uma votação menor do que a imaginada – acima de 300 votos – mostrou que tem força e fôlego político para permanecer no cargo usurpado até o ano que vem.

Mas entre mortos e feridos nem todos se salvaram. Alguns com a pele menos chamuscada e outros com um tiro devastador no peito. 
Rede Globo – É de longe a maior derrotada. Apostou no golpe, destituiu Dilma, badalou e bajulou Michel Temer até o momento em que entendeu que era hora de se afastar do ilegítimo e de sua impopularidade e círculo nefasto de amigos. Mas, como se viu, esqueceu de combinar com os russos. Ao alçar Rodrigo Maia a condição de sucessor natural, não sabia que o jovem presidente da Câmara iria ter conflitos de escrúpulos. Maia deixou a TV no vácuo e ela agora passará os próximos dias fazendo cara de paisagem. Até a próxima denúncia do PGR – que virá!

Rodrigo Janot – Imaginou que, antes de deixar a Procuradoria, daria um tiro de misericórdia no esquema Temer – com o qual foi conivente até outro dia. Janot carregará consigo o silêncio dos acovardados que não moveu uma palha para salvar o mandato de Dilma embora tivesse sinais claros e precisos de se tratar de perseguição política. A vitória e Temer vai obrigá-lo a preparar nova denúncia em poucos dias para tentar, finalmente, marcar passagem. Mas restará saber o quanto Temer queimou ou não em munição para garantir a sobrevivência.

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Padilha/Moreira/Jucá – o grupo que cerca o presidente poderá contabilizar vitória e respirar aliviado após a noite de quarta-feira (2). Poucas vezes se viu tamanho empenho em salvar corruptos como registrado na votação.

Dilma – Distanciada do debate político, a ex-presidenta perdeu a oportunidade de discutir com a oposição e mesmo deputados que integraram sua base sobre estratégias que inibissem a articulação do sucessor e o uso de liberação de verbas para garantir a permanência. Apontaria, com legitimidade, os artifícios usados por Temer para garantir e a diferença de postura adotada por ambos no processo de impeachment. Mais ainda, seria uma personagem importante para mostrar o cinismo dos parlamentares. Perdeu muito com seu silêncio.

Lula – Tentou manter equidistância do processo. Conseguiu. Mas se a vitória de Temer não o abalada, tampouco ajuda a oposição. Tem a chance de compreender que talvez tenha um papel maior a representar caso ajude a organizar o crescimento do parlamento de esquerda na próxima legislatura.

Oposição – Sem voto e sem espaço na velha mídia, os deputados oposicionistas utilizam das próprias ferramentas nas redes sociais para conversar com seus eleitores. Falar com o convertido não é exatamente o melhor caminho para ampliar o eleitorado, mas apenas para alimentar o seu. A vitória de Temer foi mais uma derrota acachapante vivida pela oposição pouco mais de um ano após a aprovação do pedido de impeachment. Ela hoje tem o tamanho da sua importância no Congresso – pouco mais de cem votos.

Bancadas BBB – As velhas oligarquias políticas somadas ao fenômeno evangélico foram as grandes vitoriosas deste processo. Traduzidas em bancadas da Bíblia, do Boi e da Bala, os reacionários do Congresso mostraram sua força e passam a ser munição e combustível para uma candidatura de direita. Atualmente são, sem muito esforço, mais da metade do Congresso Nacional. Mas é perceptível que o grupo tende a crescer ainda mais na próxima legislatura e, com isso, enterrar de vez propostas do campo progressista.

Aécio – Sai fortalecido. Apesar de andar com a popularidade num patamar ainda mais baixo que o de Temer – apenas 1% dos eleitores votariam nele para a Presidência, segundo última pesquisa – o senador mineiro mostrou que ainda tem força dentro do partido. Metade dos tucanos votaram a favor do parecer do relator e, com isso, garantiram a vitória numérica do ilegítimo. E sua vitória foi a derrota sobre Alckmin que apostou na vitória da oposição.

Eleitores de Esquerda – Entre a cruz e a caldeirinha, vivendo sua escolha de sofia entre Temer e Maia, os eleitores de esquerda pouco se mobilizaram nesta votação. Era uma situação em que a queda de Temer seria modestamente comemorada, mas em nada alteraria o cenário político desfavorável a oposição. Por outro lado, alguns hão e comemorar a derrota da Globo e o fôlego que a velha mídia se viu obrigada a oferecer na batida daquilo que é seu esporte favorito: Lula.

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