BRASIL E SÍRIA: ONDE A “GUERRA” MATA MAIS?

Por Valentin Ferreira

                                                                                                           Fotos : Carta Capital

BRASIL E SÍRIA: ONDE A “GUERRA” MATA MAIS?

Por Valentin Ferreira

A exemplo de ontem, hoje, 88 jovens não voltarão vivos para casa. Amanhã essa guerra continua e continuará não sabe até quando matando por dia esses jovens entre 15 e 29 anos. Não é Iraque. Muito menos na Síria. É no Brasil.

A estupidez desses números contabiliza 318 mil (é isso mesmo 318 MIL) jovens assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Este é o triste retrato que mostra o IPEA em seu Atlas da Violência, também publicado no Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizado em junho deste ano.

Desses jovens, 54% foram vítimas de homicídio. Idade? Entre 15 e 19 anos.

De cada 100 vítimas desses homicídios, 70% eram jovens negros.

                         A “guerra” no Brasil mata mais que na Síria.

De acordo com a Agencia Brasil, de janeiro de 2011 a dezembro de 2015 a violência no Brasil fez 278.839 vítimas fatais. Na Síria, onde potencias militares como os EUA e Rússia, entre outras, com armas modernas e pesadas, a guerra ceifou 256.124 vidas. Portanto, a “guerra” no Brasil matou mais 22.715 pessoas mais que na Síria.

Nenhum de nós está a salvo neste front. Todos os dias nas cidades grandes, médias ou pequenas, carências sociais, drogas, violência e discriminação impulsionam a máquina de “guerra” no Brasil e friamente, sob a complacência do poder Político e Econômico, enchem os cemitérios.

Programas de TV colhem rios de dinheiro fazendo dessa tragédia uma narrativa diária estúpida, desnecessária e inconsequente. Como se a morte, resultado das diversas formas de violência, fosse razão para narrativas espetaculosas e sensacionalistas.

O Brasil, vive um triste momento. Não se consegue ver no horizonte qualquer esperança de mudança desse quadro. Pelo contrário. Cortes de gastos públicos já afetam áreas como educação, saúde, segurança. Assim, irão contribuir de forma acelerada para piorar ainda mais o quadro de violência.

Da violência para violência (ou justiça?)

Corremos sério risco de ver acelerado o quadro de violência. O desemprego, a fome, e o desamparo social, em situação de elevação de temperatura pode acender o estopim da violência política, sob a omissão ou ação discriminatória da Justiça, que a título de combater a corrupção, parece enveredar-se na proteção dos corruptos de sempre, depois de caçar e punir os que realmente queriam combater esse câncer social.

Será que os corruptos de sempre, do alto do poder que exercem, indiferentes às violências do cotidiano, estão apostando num desfecho mais cruel do que já existe, e aí instalar o verdadeiro caos no país?

“A violência nas mãos do povo não é violência, mas justiça”, disse Eva Perón.

É isso que eles querem que aconteça?