A FARSA DO COMBATE À CORRUPÇÃO, por Paulo Muzell

Postado por Valentin Ferreira / do Sul21.

Desde 2005 o tema corrupção passou a ocupar espaços cada vez maiores na grande mídia. Em 2006 a Procuradora da República indiciou Zé Dirceu, vários membros da direção nacional do PT, alguns políticos de outros partidos e empresários, desencadeando a Ação Penal 470, apelidada pela imprensa de “Mensalão do PT”.

Por :Paulo Muzell

Ao longo dos onze anos seguintes o tema corrupção passou a ter crescente destaque na grande mídia. Comandada pela Globo, a imprensa do país (redes nacionais de TV, Veja, Isto É, jornalões) criou um mantra: finalmente a corrupção seria banida do país. Ninguém seria poupado: ministros, governadores, senadores, deputados, grandes empresáriosNada mais falso e ilusório.

A grande mídia brasileira, como sabemos, é controlada por meia dúzia de famílias poderosas que usam o seu imenso poder para defender os interesses da Casa Grande. Temos aqui uma oligarquia que desrespeita a lei, sonega impostos, lava dinheiro em paraísos fiscais, assalta os cofres públicos. Recentemente a Globo foi denunciada por sonegação fiscal na compra de direitos de transmissão de uma Copa do Mundo. Na operação Zelotes – compra de votos de conselheiros do CARF – para “aliviar’ grandes dívidas fiscais, várias empresas de comunicação foram indiciadas, dentre elas a RBS.

A corrupção no Brasil é uma senhora idosa. Uma constante na vida nacional. Campeou no Brasil Colônia, durante Império e na República. Contrabando, grilagem de terras com massacre de minorias, fraudes eleitorais, nepotismo, desvio de recursos públicos são uma marca registrada da nossa história.

Concluída com êxito a Ação Penal 470, montada para desfechar um feroz ataque contra o PT, no início de 2014 começa a Operação Lava Jato. A Globo cria um novo mito “salvador”, o juiz Sérgio Moro. O primeiro fora Joaquim Barbosa. Desta vez Lula e a Petrobras são os alvo escolhidos. Repete-se o já ocorrido na Ação Penal 470, a condenação sem provas.

A Lava Jato inaugura uma série de práticas que desrespeitam flagrantemente a Constituição e a legislação penal: longas prisões preventivas, delações premiadas seletivas que incriminam sem que existam provas, vazamento de gravações ilegais. A parcialidade de Moro é flagrante, ele abandona a toga, assume papel de um inquisidor designado para punir.

Fica a pergunta: como combater efetivamente a corrupção com esta Câmara Federal, a pior da nossa história. Como combater a corrupção com o judiciário que aí está? Uma instituição que exerce um grande poder sem se submeter a nenhum controle da sociedade. Um judiciário fiscalizado por um Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é uma piada. O órgão tem maioria de magistrados que defendem seus pares com unhas e dentes. Um judiciário que é uma verdadeira “caixa preta”, corporativo ao extremo, que se atribui privilégios e que descumpre a lei do teto. Um judiciário que protege juízes corruptos, que elegeu por duas vezes um Luiz Sweiter presidente de um dos tribunais de justiça mais importantes do país, o do Rio de Janeiro? Um Supremo que tem figuras como Gilmar Mendes, Alexandre Moraes, Dias Toffoli e dois nepotistas como Luiz Fux e Marco Aurélio de Mello, que conseguiram nomear suas filhas neófitas através do quinto constitucional. Um Supremo que descumpre a Constituição, que permitiu as ilicitudes de Sérgio Moro. Um Supremo que participou de um golpe que desmoraliza o país.

Os corruptos brasileiros continuam aí, muito ativos. São centenas, milhares. Muitos, graúdos: ministros, ex-ministros, governadores, ex-governadores, senadores, deputados federais, grandes empresários. A novidade é que agora temos na lista uma “jóia da coroa”: um Presidente da República. A lista é enorme. Alguns, mortos, deixaram descendentes que prosseguem seu “trabalho”: Ademar de Barros, Moisés Lupião, Orestes Quércia, Antonio Carlos Magalhães, o ACM são alguns dos nomes mais ilustres. Há, porém, um grande contingente de vivos, vivos demais, até. Fernando Pimentel, Sarney Filho, Celso Pita, Gilberto Kassab, Eliseu Padilha, Naji Nahas, Malluf, Antonio Anastasia, Moreira Franco, Tião e Jorge Viana, Fernando Pimentel, Ricardo Barros e muitos e muitos outros.

Há, porém, um “trio de ouro” que merece menção e destaque especial: Daniel Dantas, José Serra e Aécio Neves. Todos permanecem livres, leves e soltos, apesar dos inúmeros indiciamentos por ilicitudes graves. Os três tem em comum o fato de serem protegidos de Gilmar Mendes, um padrinho generoso e muito poderoso.

Daniel Dantas chegou a ser condenado. O padrinho o libertou.

Serra, a exemplo de Dantas, enriqueceu com as privatizações do governo FHC, denunciadas por Amaury Ribeiro no seu livro “A privataria tucana”. Foi denunciado, também, por irregularidades nas obras do metrô de São Paulo e do Rodoanel. Nas delações da Odebrecht foi acusado de ter recebido propinas no valor, a preços atuais, de mais de 40 milhões de reais. Joesley em sua recente delação premiada foi além, apresentou os comprovantes dos bancos, agências, número das contas e depósitos de propinas por ele recebidas. Apesar desta longa biografia nada recomendável, permanece impune.

Aécio Neves, além dos episódios da construção do aeroporto na área de sua família, das denúncias dos desvios milionários de Furnas, recentemente foi pego em gravações que comprovavam ter recebido 2 milhões da JBS. Foi preso, além de sua irmã e o do primo. Foi libertado por Marco Aurélio de Mello e seus processos estão sob os cuidados do padrinho Gilmar.

Como se vê, a grande mídia tinha razão, finalmente, começa a ser extirpada a corrupção no nosso país.

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Paulo Muzell é economista.

Fonte:https://www.sul21.com.br/