POR QUE VINHO MAIS CARO TEM GOSTO MELHOR, SEGUNDO A CIÊNCIA.

Postado por Valentin Ferreira / do Nexojornal

vinho                                                                        FOTO: MARIANA BAZO/REUTERS

Por Camilo Rocha -/ do Nexojornal

PARTICIPANTES DA PESQUISA TOMARAM O MESMO VINHO SEM SABER

Se um vinho é caro, ele deve ser bom. Parece opinião de supermercado, mas é ciência. Pesquisadores descobriram que o preço de uma determinada garrafa influencia em nossa percepção da qualidade da bebida.

Teste com ressonância magnética avaliou reações cerebrais ao mesmo vinho com preços diferentes.

A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e da Insead (instituto europeu de administração de empresas), na França, descobriu que o preço causa o que chamam de “efeito placebo do marketing”, usado quando produtos idênticos com preços diferentes causam percepções distintas em pessoas. Como acontece com remédios placebo, o preço influencia a pessoa por conta de supostas propriedades associadas a ele.

O novo experimento confirma resultados parecidos de outro teste similar de 2008, realizado por pesquisadores da Caltech (instituto de tecnologia da Califórnia). Uma das conclusões deste teste mais antigo era que “preços provocam atividade em uma área do cérebro que se acredita codifica a sensação de prazer de uma experiência”. Como o cérebro é uma área congestionada, ele acaba recorrendo a diferentes fontes de informação para avaliar uma experiência, não apenas a nossos sentidos.

COMO FOI FEITO O ESTUDO

Os pesquisadores avaliaram 30 participantes, dos quais 15 homens e 15 mulheres, com idade média em torno dos 30 anos.

Eles ficaram deitados em um aparelho de ressonância magnética para que sua atividade cerebral fosse gravada em tempo real enquanto tomavam doses de vinho. A bebida foi servida por meio de um tubo que ia para a boca do participante. Antes de cada nova dose, a pessoa deveria lavar a boca com enxaguante bucal.

O vinho usado era o mesmo, um tinto de qualidade entre média a boa, com preço de € 12. Durante o teste, o preço da garrafa era exibido antes da degustação, de modo aleatório, como sendo € 3, € 6 ou € 18. Depois, de beber o participante tinha que fazer a avaliação em uma escala de nove pontos.

A leitura do aparelho detectou que as partes do cérebro ligadas ao “sistema de recompensa e motivação” (como o estriado ventral) responderam significativamente diante dos preços mais altos. “Aparentemente, eles melhoraram a experiência gustativa”, afirmou o professor Weber.

“O sistema de recompensa e motivação acaba por pregar uma peça em nós”, declarou outra pesquisadora do Insead, Liane Schmidt. Isto é, ele nos leva a acreditar em um gosto que não existe no vinho (pois as amostras são idênticas), mas que inferimos devido à informação trazida pelo preço.

Para o professor Weber, uma questão intrigante emerge do teste é que seria possível “treinar o sistema de recompensa a ser menos receptivo aos efeitos placebo do marketing. Talvez por meio de um treinamento mais rigoroso da nossa percepção física”.

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