A CÉSAR O QUE É DEUS ?

Por Valentin  FerreiraResultado de imagem para imagem a cesar o que é de cesar e a deus o que é de deus                                                                                         Imagem: Reprodução

A CÉSAR O QUE É DE DEUS?

Por Valentin Ferreira

Já vou dizendo: Futebol, Religião e Política também se discutem, sim. Então, à conversa:

No Brasil temos dezenas de religiões e igrejas. Dúzias de partidos políticos e centenas de times de futebol.

Se na política e no futebol estamos em crise profunda, para certas igrejas os “negócios” vão de vento em popa. Já que nem todos podem fazer do futebol um trampolim para a política, gente esperta tem feito da religião e igrejas suas catapultas eleitorais.

Hoje, é fato que igrejas-empresa sustentam megaprojetos de poder. Canais de TV, rádios, jornais, bancadas de vereadores, deputados, prefeitos, fazem parte dessa construção que avança a passos de gigante e que utiliza a religião como meio principal para o alcance de apoio político eleitoral. É o voto mais fiel do momento.

Porque se trata de grandes projetos, necessitam de grandes volumes de recursos financeiros. Então é preciso arrecadar grana. E cada qual com $eu “deus” sob embalagens com soluções mágicas, e imediatistas a toda prova.  Vender “soluções que vêm de deus” não tem crise. Mas é nesse ambiente de crise que soluções do tipo “deus Bombril” ou “deus canivete suíço” devem ser propostas. Os “milagres” prometidos vão desde solução para crise financeira pessoal, familiar, até para brigas de vizinhos. E têm um custo.

Os argumentos a uso e gosto de cada pregador são arrancados da “Bíblia”. Dela saem mirabolantes interpretações para colorir a vida do crente fiel. Na moda a “teoria ou teologia da prosperidade” (veja o vídeo). Receita quase infalível para suposto sucesso material/espiritual. Se de um lado o deus-prosperidade entra como promessa para “seus problemas acabarem”, por outro, o diabo pode ser escalado para desempenhar seu papel como muralha a ser derrubada. Desafio que não é empecilho para a criatividade de pregadores experientes e altamente convincentes para lidar com “possuídos”. Com aquela voz rouca, à exorcista, seus demônios são expulsos do meio, limpando o caminho por onde verterão os “milagres” da multiplicação da grana.

Pessoas simples, de santa inocência e boa-fé, não resistem ao “encanto mágico” daquelas cenas. E o tempo não para. 10% dele se destinam à “pregação”, e 90% para a “arrecadação”. No mundo capitalizado das igrejas-empresa, a garantia de futuro sucesso para pregadores e fiéis tem preço. Lá também não “existe almoço grátis”.

O custo da prosperidade é alto. A receita do sucesso iminente, e garantido, exige pagamentos. Boletos, cartões de crédito, ofertas, dízimos, campanhas, apoiadores, patrocinadores, e tantos outros meios com amparo na tecnologia, elevam absurdamente a ARRECADAÇÃO de grana viva. Sem impostos. Sem encargos. Tudo em nome de um “deus”. O poder. Temporal.

Na construção desse poder, políticos-pregadores, incansáveis na sua “missão”, agora investidos de um mandato parlamentar pelos votos dos “convertidos e prosperados”, têm a oportunidade de mostrar o tipo de “serviço” que prestam ao país com suas posições e votos.

Assim se constatou no argumento de alguns pastores-deputados que votaram para livrar Temer das investigações. Simplesmente afirmaram que só votaram, a favor do presidente, porque “Deus mandou”. A dúvida é: qual deles? O Deus ou o “deus”? Pelas razões e consequências do voto, dá para se deduzir qual foi.

No angustiante cenário em que se desenvolve essa portentosa Babel brasileira 2.0, não se sabe quando e nem como chegaremos ao fim. Pelo que se vê, com esse “deus”, o diabo deve estar satisfeito porque César e seus seguidores  estão tomando o que é do verdadeiro Deus.