QUEM PRECISA DE CURA É O PRECONCEITO

Postado por Valentin Ferreira / do Domtotal.com.br

Por Nany Mata

“Mutantes, super seres, deuses, estrangeiros, um sujeito que se aproxima das paredes em um extremo, uma criatura que come planetas no outro. Cada um que surge, eles sentem, diminui o resto da humanidade, o homo sapiens comum, um pouco mais.” Jim Lee.

Há registros históricos de que ruivos já foram considerados seres amaldiçoados. Os canhotos também já foram perseguidos pela humanidade. Mulheres eram acusadas de bruxaria. Ao olhar para trás, vemos um rastro de absurdos, coisas de séculos de ignorância. Acontece que, em pleno 2017, ser gay, trans, lésbica, bissexual é tratado, por alguns, como doença a ser tratada.
Referências para comprovar todas essas hipóteses absurdas não faltam. Conta-se que o lado direito é mencionado positivamente mais de 100 vezes na Bíblia, enquanto a esquerda aparece só 25 vezes no livro sagrado de grande parte dos cristãos.

Contra ruivos e mulheres

O problema com os ruivos ficou mais grave entre a Baixa Idade Média e o século 17. Artistas do período retratavam o traidor Judas como ruivo e, a grande massa da população passava a acreditar nessa cor de cabelo como algo negativo.

Mulheres com cabelos de fogo também foram caçadas Inquisição. Aliás, mulheres com cabelos de cores quaisquer sempre foram historicamente tratadas com preconceitos, distintos de acordo com cada período.

Perseguição dos dias de hoje

Espelho dessas perseguições, na última semana, o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, concedeu uma liminar que permite que psicólogos ofereçam “terapias de reversão sexual”.

Apesar de alegar, na decisão, que a homossexualidade não pode ser considerada uma condição patológica, o próprio juiz afirma no texto que podem ser realizados estudos e atendimentos que promovam a reorientação sexual dos indivíduos, o que poderíamos chamar de forma mais simples de cura-gay.

As justificativas, mais uma vez, reverberam a ignorância e se apoiam em absurdos, contra tudo o que há de evolução nos estudos científicos. Vivemos um retrocesso, causado por medo, intolerância, preconceito e por uma ignorância voluntária, que cega.

Ser diferente do padrão social ou representar uma minoria incomoda, mais do que isso, gera ódio. A verdadeira fraqueza está na mente de quem não suporta que o outro não seja como você é, como se não fossemos todos únicos. Quer saber mesmo o que precisa ser tratado como doença? Leia esse artigo de Breiller Pires, no El País Brasil.

Nany Mata
Jornalista, especialista em Gestão Estratégica em Comunicação, ambos pela PUC Minas. Trabalhou e é voluntária da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), entidade sem fins lucrativos que visa a humanização no cumprimento da pena e a ressocialização de indivíduos que cometeram delitos. Como funcionária da entidade, tornou-se também voluntária e entusiasta dos Direitos Humanos. Atualmente é assessora de imprensa, tem ainda experiência como community manager, social media e reportagem.
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