A QUESTÃO DA ÁGUA, O GESTOR PÚBLICO E CERTAS PRÁTICAS VISTAS PELO RETROVISOR

Por  Valentin Ferreira

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Por Valentin Ferreira

Uma lição e um alerta. O compromisso está à frente. Em tudo, na vida, ficar olhando demasiadamente no retrovisor pode atrapalhar as obrigações de se olhar para a frente, e aí comprometer as responsabilidades com o que temos a fazer. Agora e no futuro.

Como quem dirige um veículo, deve-se tomar o cuidado necessário com a retaguarda, mas, sempre lembrando, o maior compromisso está à frente. Qualquer erro ou descuido pode causar graves acidentes e comprometer muitas coisas. Entre elas, milhares de vidas.

Ao gestor público, cujas responsabilidades extrapolam seus objetivos pessoais, cabe um cuidado maior, pois sob seu comando estão centenas, milhares de pessoas, e o descaso ou negligência pode ter um custo muito alto. Para toda a comunidade.

Práticas de gestão baseadas no personalismo político do “manda quem pode e obedece quem tem juízo” não têm mais lugar em cidades que querem progredir econômica e socialmente. Pena que esse saudosismo administrativo ainda veste muitos homens públicos, manequins do atraso.

Ao gestor não cabe entender de tudo, mas ter ao seu lado gente capaz de aprender ou reaprender com as exigências de um modelo de gestão em que não se admite mais certas improvisações. Práticas como o clientelismo, como meio de angariar apoio e mais poder, comprometem a eficiência e eficácia no trato da coisa pública. Muitos prefeitos ainda não se livraram dessa doença.

É inegável e urgente que, entre as exigências da boa gestão, estejam aquelas ligadas às questões ambientais. E, nelas, a água é a que deve receber o maior cuidado. As lições da forte estiagem de 2014/15 fizeram soar o alarme e ativar a visão realista de que esse bem, essencial à vida, está dia a dia se esgotando.

Por todas as formas de consumo de água e a degradação dos sistemas que a mantêm, seu desperdício aliado a altas cifras financeiras decorrentes do tratamento, fatos conhecidos  mas desprezados por gestores públicos, visivelmente cegos, somam-se ininterruptamente a outros crimes que – se não forem punidos – nos levarão, por nossa criminosa omissão, a um desastre anunciado. Por isso nossa obrigação de intervir – urgentemente – e mudar.

Captar água de um rio, cuja morte pode ser vista e percebida ano a ano, para depois de tratada e a um alto custo permitir que seja desperdiçada e enterrada sob dezenas de quilômetros de redes públicas, deterioradas pelo tempo, deve ser caracterizado como crime. E crime hediondo!

Se as comunidades locais – de municípios onde o desperdício e o descaso com a água são descaradamente visíveis – não assumirem o compromisso de lutar e impedir tamanha barbaridade, as próximas gerações não terão disponível, como se tem hoje, esse bem essencial à vida. E então será tarde!

Colocar recursos públicos em obras e serviços que não respeitam os necessários critérios de eficiência e respeito ao Meio Ambiente, só pode ser defendido por aqueles que olham apenas pelo retrovisor.