ALERGIA A ALIMENTOS, Por Dráuzio Varella

Postado por Valentin Ferreira / da Carta Capital
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(iStockphoto/Getty Images/Getty Images)

alergia a alimentos é mediada por anticorpos do tipo IgE. Ela resulta da ruptura ou do retardo no desenvolvimento de tolerância imunológica ou da reatividade exagerada a determinada substância, numa pessoa geneticamente predisposta.

Oito alimentos são os responsáveis pela maioria dos casos: amendoim, leite, ovos, soja, peixe, crustáceos, trigo e castanhas. A alergia ao amendoim é a mais prevalente. Costuma ser duradoura: menos de 20% dos alérgicos na infância ficam livres dela. Já as alergias ao leite e aos ovos geralmente desaparecem na idade escolar.

Alergias aos produtos contendo amendoim afetam perto de 1% da população. Entre os norte-americanos é a principal causa de choque anafilático.A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de instalação rápida que pode levar à parada cardíaca e envolve múltiplos órgãos (tratos respiratório e gastrointestinal e a pele).

Os fatores de risco para esses eventos fatais são: tipo de alergeno, adolescência, presença de asma e indisponibilidade da caneta para a autoinjeção de epinefrina. Outros fatores incluem exercício físico, infecções virais, menstruação, estresse emocional e consumo de álcool.

A reação anafilática típica instala-se em 5 a 60 minutos. Manifestações cutâneas como eritemas e pruridos são os sintomas mais comuns, mas estão ausentes em 20% dos casos. Por essa razão, é preciso valorizar tosse, chiado no peito, rouquidão, dificuldade para respirar, vômitos, diarreia, queda da pressão arterial e a perda dos sentidos, o que pode levar a óbito.

O diagnóstico de alergia é feito a partir da história clínica, pelos testes cutâneos ou in vitro (por meio da produção de IgE na presença do antígeno). Quando esses testes são realizados sem ouvir as queixas clínicas, a sensibilidade é de 90%, mas os resultados falso-positivos chegam a 50%.

Testes confirmatórios são empregados para identificar o alimento causador da alergia ou para saber se o quadro alérgico desapareceu com o tempo. Nestes casos, a pessoa deve ingerir isoladamente o alimento suspeito.

A prevenção à alergia ao amendoim foi testada no estudo Leap, no qualforam acompanhadas 640 crianças de 4 a 11 meses, com fatores de risco para alergias: crianças alérgicas ao ovo ou portadoras de dermatite atópica ou ambas. Elas foram divididas em dois grupos: o primeiro começou a ingerir amendoim e seus produtos pelo menos três vezes por semana, ao entrar no estudo; o outro só iniciou o consumo depois dos 5 anos.

Aos 5 anos de idade, a prevalência de alergia ao amendoim entre os que começaram a consumi-lo antes de completar 1 ano foi de 1,9%, ante 13,7% entre os que o fizeram apenas depois dos 5 anos. Com base nesses resultados, a recomendação é a de introduzir amendoim na dieta das crianças a partir dos 6 meses de idade.

Os choques anafiláticos podem ser bifásicos. Em cerca de 10% a 15% dos casos, a reação pode repetir-se em 4 a 24 horas. Essa possibilidade exige observação cautelosa depois de qualquer reação anafilática. A caneta contendo epinefrina para autoinjeção, assim que surgirem as primeiras manifestações, é equipamento de primeira necessidade, que pode salvar vidas.