TEMER PÕE O BODE NA SALA E PIORA O QUE ESTAVA RUIM

Postado por Valentin Ferreira44anos
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Mesmo que seja um simples bode posto na sala, para ser retirado e dar uma sensação de alívio à respiração dos presentes, a notícia da exigência de 44 anos de contribuição para alcançar a aposentadoria sem “descontos” no valor dos proventos conseguiu piorar o que já estava ruim: a falta de clima para a aprovação da reforma previdenciária.

A versão atenuada da desastrosa proposta inicial – lembram-se dos 49 anos de contribuição? – consegue ser pior do que a já discutível tese de aumentar a idade mínima e ampliá-la mesmo para quem tem o tempo de contribuição atingido.

Se essa ainda admite discussão, com exemplos pontuais – “fulano se aposentou aos 50” – usados de forma a parecerem a regra, a de aumentar o tempo mínimo de contribuição para a aposentadoria por tempo de serviço tem uma tradução direta: ter de trabalhar mais nove anos para conseguir fazer jus ao mesmo e limitado direito à previdência.

44 anos de contribuição, não raro, significam 47, 48, até 50 anos de atividade laboral, porque ao longo da vida, acumulam-se os “buracos”, as atividades sem vínculo formal, os recolhimentos não-feitos, as carteiras de trabalho e as empresas que sumiram na poeira do tempo.

É conta que qualquer um pode fazer e faz, com esta notícia, sem ligar muito, até, para regras de transição que, provavelmente, a acompanhem.

Tão desajeitada é a proposta que, provavelmente, foi vazada apenas para ser retirada e fazer passar o aumento da idade mínima.

O efeito, porém, é inverso: reacende a odiosidade da reforma e a percepção de que se quer achacar o trabalhador.

O clima para a aprovação de mudanças na aposentadoria – que exige os 308 votos que Temer não tem mais – era ruim. Agora, piorou.