A JUSTIÇA,O JOGO POLÍTICO E A LAVA JATO. Por Marcos Nobre, Filósofo da Unicamp

Postado por Valentin Ferreira

Marcos Nobre, filósofo e professor da Unicamp. RAFAEL RONCATO

Filósofo diz que Moro optou por base de apoio anti-petista e acabou com a neutralidade da Lava Jato. Ele classifica Temer e Cármen Lúcia como pessoas “irrelevantes” que querem ser importantes

Por Felipe Betim  / El Páis

Os recentes acontecimentos no Brasil, como a execução da vereadora Marielle Franco e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vem literalmente tirando o sono do cientista político e filósofo Marcos Nobre. Professor da UNICAMP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), ele diz que “o país vive um momento muito triste” por causa de atores “irrelevantes politicamente que vêm buscando relevância política”. Neste grupo ele coloca o presidente Michel Temer, o comandante do Exército Eduardo Villas Bôas e a ministra do Supremo Cármen Lúcia. Ao colocar o habeas corpus do ex-presidente em pauta e ignorar a questão sobre a possibilidade ou não da prisão em segunda instância, “ela impôs sua posição ao tribunal inteiro e acabou gerando uma fratura”, explica em entrevista ao EL PAÍS na última sexta-feira, antes da prisão do ex-presidente. “É uma pena que, num momento tão grave, ela não tenha nenhuma condição de ser presidente do STF”, opina ele. Explica também que o mecanismo processual inaugurado pela Operação Lava Jato gerou “um efeito colateral brutal” ao atingir as forças políticas de maneira desigual. E que Sergio Moro, ao liberar as gravações de Lula, em março de 2016, optou por uma base de apoio anti-petista, acabando com a neutralidade política da operação.

Veja importante entrevista no El PaÍs, AQUI,  

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