A MUSICA SERTANEJA E DOIS EXEMPLOS DE FILHO

Postado por Valentin Ferreira

Veja a seguir  as letras 

Com letra de Dino Franco, LIÇÃO DE MORAL , nas vozes de Biá e Dino Franco

Um filho caçula e muito mimado
Pros confins da roça regressou doutor
De anel no dedo cheio de segredos
E muito disposto a mostrar seu valor
Encontrou seu pai no chão ajoelhado
Plantando com as mãos um ramo de flor
Ouvindo o barulho do recém chegado
Morto de saudade o bom lavrador
Correu abraçar o seu filho adorado
Mas foi evitado meu Deus que horror

Olhando no chão o roceiro honrado Com água nos olhos disfarçando a dor
Ouviu paciente o almofadado
Fruto diplomado do seu grande amor
Você não enxerga meu terno engomado
Nem o meu diploma, oh faça o favor
Você vem correndo todo lambuzado
De terra molhado de chuva e suor
Só ignorantes e os atrasados
No país de hoje vivem nessa cor

Você não entende que o Brasil amado
Cresceu para os lados em todo setor
As portas do mundo por homens letrados
Abriram mercados para o exterior
O índio de hoje é civilizado
Tem café solúvel e TV à cor
Em todos os cantos de todos Estados
Existe o Mobral e um bom professor
Se você não sabe eu já sou formado
Não sou mais apenas um agricultor

Cortando a conversa o velho corado
Disse estou cansado de ouvir promotor
Vivo aqui no mato dou murro pesado
E não sei do mundo com tanto esplendor
Só sei que o dinheiro deste atrasado
Foi lá pra cidade e te fez doutor
Se a instrução vem lá da cidade
A educação vai do interior
Pois fiquem sabendo que os lambuzados
Chamam aqui na roça os pais de senhor

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Composição de José Fortuna e Sulino o CARRO E A FACULDADE nas vozes de Valderi e Mizael

Eu tenho em meu escritório, em cima da minha mesa
A miniatura de um carro, que a todos causam surpresa
Muitos já me perguntaram, o motivo porque foi
Que eu sendo um doutor formado, gosto de um carro de boi
Respondi foi com o carro, nas estradas a rodar
Que meu pai ganhou dinheiro, pra mim poder estudar
Enquanto ele carreava, passando dificuldade  As lições eu decorava, lá nos bancos da faculdade.

Entre nossas duas vidas, existe comparação
Hoje eu seguro a caneta, como se fosse um ferrão
Nos riscos de minha escrita, sobre as folhas rabiscadas
Eu vejo os rastros que os bois, deixavam pelas estradas
Fechando os olhos parece, que vejo estrada sem fim
E um velho carro de boi, cantando dentro de mim
Em meus ouvidos ficaram, os gemidos de um cocão
E o grito de um carreiro, ecoando no grotão.

Se tenho as mãos macias, eu devo tudo a meu pai
Que teve as mãos calejadas, no tempo que longe vai
Cada viagem que fazia, naquelas manhãs de inverno
Era um pingo do meu pranto, nas folhas do meu caderno
Meu pai deixou essa terra, mais cumpriu sua missão
Carreando ele colocou, um diploma em minhas mãos
Por isso guardo esse carro, com carinho e muito amor
É a lembrança do carreiro que de mim fez um doutor