OS BRIOCHES DE MARIA ANTONIETA NÃO SAÍRAM BARATOS!

Por Valentin Ferreira

O ódio é burro, diz a jornalista e escritora Eliane Brum.

Burro e cego, diriam outros. O fato é que burro ou cego, o ódio dividiu o povo brasileiro, alimentado por uma mídia que bateu dia e noite para enfiar na cabeça de muita gente a matéria prima: preconceito e discriminação contra um partido e seu governo encarnados na sua figura principal, o ex-presidente Lula.

O modesto ensaio do breve governo trabalhista para tornar a vida dos brasileiros menos desigual, foi suficiente para a elite mais atrasada do mundo, arquitetar e levar a cabo um golpe fajuto cujo objetivo era e é extirpar qualquer vestígio deste ensaio que levou milhões brasileiros, tidos de “segunda classe”  a experimentar, com justo direito, um pouco de dignidade e esperança

Absurdo para um país com tanta riqueza? Não. Mas ainda é latente a herança escravocrata encalacrada no sistema político e econômico desta terra, onde uma minoria possui riqueza maior que a grande maioria.

Com histórias parecidas, o mundo já experimentou situações de perseguição, condenação e até morte daqueles que se aventuraram a tornar as sociedades mais justas. A parte egoísta e dominante dessas sociedades não aceitaram e não aceitam que pobres e desvalidos possam ter vida digna. Líderes populares que defenderam e defendem os injustiçados e empobrecidos estão sujeitos a pagar até com a própria vida por essa “estupidez”.

Os que hoje odeiam Lula, pertencem à mesma matriz ideológica dos que odiaram Nelson Mandela e impuseram ao povo negro sul-africano perseguição, sofrimento e morte.

Os que hoje odeiam Lula, pertencem à elite e classe média preconceituosas e intolerantes parecidas com aquelas que odiaram Martin Luther King por sua defesa intransigente dos direitos iguais entre os norte-americanos.

Os que hoje odeiam Lula, defendem os mesmos privilégios das oligarquias econômicas e guardam os mesmos interesses dos que odiaram Mahatma Gandhi e tramaram sua morte por sua luta ante o Império Britânico que pesava sobre os pobres e indefesos indianos.

Quantas lições desse tipo ainda teremos para entender que é possível a convivência entre os que pensam de forma diferente? Que a riqueza disponível no mundo é capaz de promover vida digna a todos. Que quanto maior a discriminação e a fabricação forçada da pobreza, mais a violência imperará no seio social.

A fundação Abrinq acaba de divulgar estudo que mostra que o Brasil tem 17,3 milhões de crianças e adolescentes menores de 14 anos vivendo em situação de pobreza. Que desses, 5,8 milhões são jovens em extrema pobreza. Que futuro nos aguarda se o ódio a um ou outro líder popular e suas causas nos cegar a ponto impedir que tomemos atitudes   diante desta e de outras  calamidades sociais?

A História nos já deu lições suficientes para entender quão dramáticas foram as consequências  da relação de exploração de uns poucos  sobre  milhares. E a que preço?

A História também registra que os “brioches” de Maria Antonieta, não ficaram baratos.