AMSTERDAM, A CIDADE DAS BICICLETAS

Postado Por Valentin Ferreira

Por Suzana Camargo / Conexaoplaneta

Quando o avião começa a aterrisar, logo é possível ver pela janelas uma dezena de turbinas eólicas ao longo da costa. Depois do desembarque, na hora de ir para o hotel, você se depara com uma frota de táxis elétricos. Não há dúvida que você está chegando em um país que pensa em seus cidadãos e está preocupado em oferecer a eles um futuro sustentável. Estou falando da Holanda e mais especificamente, da minha viagem recente à Amsterdam.

Chego naquele horário da volta do trabalho dos europeus, entre 5h e 6h da tarde, e ao meu lado no táxi, meu pai em sua primeira visita à capital holandesa, não consegue esconder o espanto com a quantidade de bicicletas nas ruas.

Aqui é assim: Vai para a escola? De bicicleta! Para o trabalho? De bicicleta! Levar o filho ao médico? De bicicleta! E pra balada? Lógico, de bicicleta!

Para se ter uma ideia da importância da magrela na cidade, basta comparar o número delas com os de habitantes. Amsterdam tem uma população de cerca de 835 mil pessoas e em sua área metropolitana, 2,2 milhões. E nada menos do que 881 mil bikes, número quatro vezes maior do que o de carros. 58% dos residentes afirma pedalar diariamente.

Mas é preciso expicar a quem nunca visitou a capital da Holanda que há dois ótimos motivos para a escolha pela bicicleta: a cidade é toda plana e o centro histórico, com seus canais e ruas estreitas, tem acesso complicado para veículos.

Segundo os holandeses, a paixão por pedalar não é algo que veio com o DNA desse povo. Na verdade, foram feitos investimentos importantes para estimular o uso desse tipo de trasnporte. Já na década de 70, o governo começou a construção de ciclovias. Hoje são mais de 760 km delas atravessando a cidade. Só perto da estação central de trem, há estacionamento para 10 mil bikes.

Com todo este incentivo, nos últimos 20 anos, o uso da bicicleta em Amsterdam cresceu mais de 40%. Mas nem por isso, a administração pública se deu por satisfeita. Anunciou um investimento de outros 120 milhões de euros, até 2020, para melhorar ainda mais a infraestrutura para os ciclistas, incluindo a oferta de mais 38 mil vagas de estacionamento.

Mas se você vai ou está visitando a cidade, não se engane. Para os holandeses, pedalar é algo profissional. Eles não são “ciclistas de final de semana”, passeando pelas ruas. Pilotam as magrelas com destreza e velocidade. Respeitam todos os sinais de trânsito, mas não tem tempo a perder.

E se você está turistando, vale a pena se aventurar em cima das duas rodas? Minha resposta é Sim! Vale, com certeza! Há lojas de aluguel de bicicletas por toda Amsterdam (alguns hotéis, inclusive, as oferecem gratuitamente). É possível alugá-las por hora ou dia. Geralmente, se você vai passar alguns dias na cidade, vale mais a pena a diária. Ela custa, em média, uns 15 euros. Uma dica importante: não esquecer do cadeado. Assim como em outros lugares, também há roubos de bikes aqui. Certifique-se sempre que ela está segura e preste bem atenção onde vai deixá-la. Em alguns locais, é proibido e há placas fazendo o alerta.

As magrelas de aluguel são ótimas! Robustas, com pneus largos, excelentes para andar pela cidade. Mas uma outra dica: não fique parando nas ciclovias para tirar fotos ou apontar alguma atração turística, lembre que os moradores de Amsterdam as usam para chegar ao trabalho ou casa e têm pressa.

Para virar à direita ou à esquerda, sinalize sempre com as mãos. E antes de atravessar as ruas, preste atenção nos trams (bondes de superfície). Durante a noite, confira se o farol (da frente e traseiro) estão acesos. É obrigatório tê-los por lei!

Por último, se quiser fazer aquela selfie, espere o sinal fechar ou encoste a bike na calçada. Ah, aproveite a paradinha para experimentar o kroketten, o tradicional croquete de carne holandês. Uma delícia!

No mais, aproveite o ventinho no rosto e curta Amsterdam, uma cidade vibrante, de mente aberta e cheia de lugares bacanérrimos para se visitar!

Uma última historinha. Não poderia deixar de contar a cena romântica que eu presenciei. De noite, já escuro, e um homem pedala com a namorada/esposa/amiga, na garupa, ao mesmo tempo em que leva a bicicleta dela com a outra mão. Só mesmo aqui em Amsterdam!

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