A ALQUIMIA DO PODER PARA FAZER ALCKMIN PRESIDENTE

Postado por  Valentin Ferreira

Por Valentin Ferreira

Para ter eleições Alckmin precisa ser o vencedor. Este parece ser o desfecho das tramas do poder depois que encarceraram aquele que está em primeiro lugar nas pesquisas, e que, com certeza sendo candidato, e se tiver eleições, vence qualquer um dos que estão aí.

Os fatos ocorridos ultimamente indicam o que querem os donos do poder. Os que realmente mandam e manipulam o jogo para chegarem onde desejam: Ganhar a presidência. Para isso o descarte de uns para benefício de outros é evidente. Na esteira da condenação e prisão do ex-presidente Lula, das desistências de Huck e Barbosa, da soltura de Paulo Preto e mais algumas desistências de candidatos de direita que estão na bica para acontecer, tudo leva a crer que o caminho está sendo desobstruído para o candidato preferido dos patrocinaram o golpe.

Vejamos:

Fato 1 – Ao processar, condenar e trancafiar o ex-presidente Lula os donos do poder deram o passo mais importante para “limpar” o trajeto das urnas. Ainda que o ex-presidente mantenha a candidatura é quase certo que não vão tirá-lo de lá antes de novembro. O caminho para sua liberdade provisória está nas mãos do STF, na questão da prisão em condenação em segunda instância, que só entrará na pauta após as eleições. Se Lula conseguir ser candidato, é claro, não tem para ninguém. Mas para os donos do poder, Lula é carta fora do baralho. Sobra no campo centro-esquerda Ciro Gomes, que se conseguir unir os partidos afins, terá chances de estar no segundo turno.

Fato 2 – Luciano Huck foi um balão de ensaio testado em poucos quilômetros da pedregosa estrada eleitoral. Poucas semanas foram o bastante para testá-lo quando em curto trecho de teste, surgiu o empréstimo para compra do seu jatinho particular com grana do BNDES com juros para lá de ótimos. Também o tranco dos R$ 20 milhões da lei Rouanet para fazer suas ações sociais. Pronto: O Patrão Marinho lhe deu um ultimato. Prontamente aceito.

Fato 3 – A estrela do Mensalão Joaquim Barbosa estava em banho-maria. O juiz do famoso processo estava sendo testado no paladar dos homens do poder. Até com certa simpatia. Seu partido o PSB e a mídia cobravam-lhe sua posição sobre os diversos temas ligados à candidatura. Nada. De uma hora para outra, Joaquim joga a toalha. O que pesou na decisão? Seria a acusação de não ter pago imposto em solo americano quando comprou uma casa em Miami, como relata o jornalista  Fernando Rodrigues. Pode não ser. O mais provável é que foi mais um que não interessava.

Fato 4 – Atingido por uma rajada de documentos da CIA, a ditadura militar foi colocada mais uma vez no banco dos réus. Alvejado por tabela, Bolsonaro candidato no topo das pesquisas, originado na caserna e defensor de práticas nada civilizadas, tentou de imediato se defender, com seus “tapinhas no bumbum”. Mas coincidência ou não fato é que o documento divulgado e amplamente debatido na mídia atinge quase mortalmente Bolsonaro. Coincidência ou não, a data e o fato, mostram que para os donos do documento o candidato não é confiável nem o desejável.

Fato 5 – Paulo Vieira de Souza, conhecimento como Paulo Preto é rotulado como verdadeira bomba ambulante para a administração tucana em São Paulo. Engenheiro do Dersa mantinha quatro contas na Suíça que somavam R$ 121.000.000,00. Mas segundo  a Folha de São Paulo, Paulo é suspeito de receber R$ 173 milhões em propina em obras na Prefeitura de São Paulo. Preso no início do mês passado pela Lava Jato, foi libertado na última sexta feira dia 11, pelo Ministro Gilmar Mendes. Por quê foi posto em liberdade? É que segundo informa o jornalista Renato Rovai da Revista Fórum, Paulo Preto teria sua delação homologada nesta segunda, dia 14. Bingo! O que contém a delação pode ser nitroglicerina pura para o ninho tucano paulista. E atingiria com maior poder de estrago o candidato Alckmin.

Tudo somado, noves fora outros fatos que trafegam pelo mesmo caminho cuja curva à direita é extremamente perigosa, nos leva a crer que a direita não tem outra alternativa. Henrique Meirelles poderia até ser este menino bom, que o poder deseja, mas eleitoralmente não faz frente ao “santo” Alckmin. Então para os donos do poder o ungido será Alckmin.

Como o Brasil nunca teve um processo eleitoral tão conturbado, com o principal candidato tido como preso político e que ostenta a preferência do eleitorado, somente os analistas de cátedra e os cientistas políticos terão as condições de trazer melhores prognósticos que este escrevinhador não tem. Porém, os últimos fatos indicam que as poções estão sendo  dosadas e a alquimia do poder decretar que  para ter eleições, Alckmin terá que ser o presidente.