“…EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA…” ATÉ QUANDO A MISÉRIA E A INJUSTIÇA ADIARÃO SEUS EFEITOS EXPLOSIVOS?

Por Valentin Ferreira

“A injustiça num lugar qualquer, é uma ameaça à justiça em todo lugar” Martin Luther King Jr.

Acredito que ninguém esperava uma greve (ou locaute) nas proporções que aconteceu na última semana.

Nem mesmo o governo ilegítimo que se instalou no Planalto esperava tamanha trombada para testar sua elefântica falta de competência e capacidade para lidar com a situação. Perdeu-se um pouco mais de vida um governo que se encontra em coma.

Se havia injusta situação na relação entre caminhoneiros e preços de combustíveis, podemos imaginar que tipo de vida está levando os mais de 13 milhões de desempregos ou 20 milhões, se somados aos subempregados. Até quando esse exército silencioso se sustentará às custas de favores de familiares ou migalhas de alguma política governamental que sobrou?

Ficou o recado: se a democracia e o estado de direito não forem restabelecidos, com eleições livres e diretas,  não se sabe a que distância nos encontramos do precipício social e político.

Neste cenário caótico, de grossas vozes e manipulações, saltam gritos contra a corrupção que surrupia recursos que poderiam socorrer os literalmente roubados. Essas mesmas vozes manipulam mentes e corações em favor da Lava Jato, mas não se houve um pio contra a sonegação que segundo a Receita Federal acumulava em 2017 mais de R$ 500 bilhões surrupiados. É muito afirmar que os principais atores da corrupção partilham o mesmo palco com a sonegação? Só que neste canto do palco há enorme silencio apesar de seu valor ser algumas vezes maior que o tombo da corrupção da Lava Jato.

Aos poucos milhões de brasileiros colocados à margem da sociedade por um modelo concentrador de renda vão descobrindo que os Poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – irmanados ao Grande deus Capital trabalham em favor e em defesa desse modelo que cada vez mais deixa os ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Somos um País  privilegiado pela Natureza. Colocado entre as dez maiores economias do mundo coleciona os mais injustos indicadores sociais. Não é para menos. Apenas 6 privilegiados brasileiros concentram riquezas equivalentes a 100 milhões dos mais pobres. Metade da população brasileira. Você conhece algum outro pais desenvolvido em desenvolvimento com tamanha desproporção?

Diante de tamanho abismo social cabe perguntar: quanto tempo nos separa de uma ruptura social violenta?

Até quando esses rios de injustiça serão represados na indignação contida e silenciosa? Até quando esses milhões de marginalizados serão levados no bico e assim desconhecerem que seu País tem riqueza suficiente para todos viver com dignidade? Ter emprego, saúde, educação, moradia, lazer e tudo que dignidade humana exige.

E a segurança? De propósito, não mencionei nos parágrafos acima.  Pergunto: Que tipo de segurança queremos nós, classe média egoísta, com os números e indicadores citados acima? Claro ficaremos de olho todos os dias nos Datenas da vida para ver quem e quantos “meliantes” foram mortos pela polícia. Claro, no conforto de nossa casa engradada ou em condomínios seguros. Mesmo preocupados, respirar fundo e dizer: graças a Deus menos “bandidos” entre nós, sem se dar conta que na outra ponta da “fábrica de injustiça”, centenas ou milhares de possíveis “meliantes” estão sendo gerados. E nessa roda viva, num sadismo social indisfarçável, passar dias e dias achando que esse tipo de vida vale a pena.

Podemos também fazer parte da cota dos convencidos pelo sucesso profissional ou pela meritocracia herdada na herança patrimonial. Usaremos isso em todos os lugares e oportunidades para justificar nossa supremacia e indiferença.  Ainda encher o peito e dar de ombros, pois, como cidadãos pagadores de impostos e “cumpridores” dos deveres morais e sociais nada temos a ver com a lado leste da cidade. Você já notou que o lado leste de muitas cidades, é o lado pobre.

Que sabe se enquanto cristãos poderemos significar uma alguma coisa para os atuais leprosos, prostitutas, mãos secas, e outros “doentes” sociais  que foram percebidos por um “sujeito” que depois foi crucificado. Mas ressuscitou!  A partir d’Ele, está o caminho a nos tornar mais atentos.

Quem sabe até humanos.

Valentin Ferreira