DIA DOS NAMORADOS: Origem no Império Romano

Postado por Valentin Ferreira

Por Evaldo D’ Assumpção*

No dia 12 de junho, tradicionalmente comemora-se no Brasil o Dia dos Namorados. No entanto, esse dia não é universalmente celebrado na mesma data. Nos Estados Unidos e em vários países da Europa, ele é celebrado junto com a festa de São Valentim, no dia 14 de fevereiro. A razão dessa diferença está ligada a várias histórias, tendo origem no império romano, mais exatamente no século III, quando Claudius II era seu imperador. Estando constantemente envolvido em guerras, e acreditando que os solteiros eram melhores guerreiros, ele proibiu os casamentos em seu reinado. Contudo, o Bispo Valentim não se submeteu a essa proibição e continuou realizando casamentos. Preso, foi condenado à morte, e durante o tempo em que estava na prisão, recebia muitas mensagens de jovens apaixonados que valorizavam o amor e o casamento. Foi decapitado em 14 de fevereiro de 270, tornando-se um dos mártires da Igreja Católica, com sua festa sendo comemorado no dia de sua morte, como usualmente acontece com os santos da Igreja.  

Mas, há também uma correlação do Dia dos Namorados com a festa pastoril pagã denominada Lupercalia, ou Festas Lupercais, que era celebrada em Roma a XV Kalendas Martias, que corresponde ao dia 14 de fevereiro atual, homenageando Juno (deusa da mulher e do casamento), juntamente com Pan (deus da natureza), e também o início oficial da primavera, no hemisfério norte.

São essas as duas razões que explicam a comemoração do Dia dos Namorados, em 14 de fevereiro, nos países do Norte.

No Brasil ele foi instituído por iniciativa do publicitário João Dória, nascido na Bahia em 1919, e morrendo em São Paulo no ano 2000. Pai do atual prefeito da capital paulista, teve intensa atividade política e publicitária, e na década de 40, imaginou um meio de incrementar as vendas no comércio durante o mês de junho, no qual não havia nenhum feriado que as alavancasse. Lançou então o Dia dos Namorados, na véspera do dia em que se comemora a festa de Santo Antônio, conhecido como casamenteiro, porque em suas pregações sempre deu muita importância ao amor e ao casamento. Mas, como bom comerciante e publicitário que era, Dória criou o “slogan”: “não é só com beijos que se prova o amor”, que funcionou muito bem para o objetivo pelo qual foi criado.

Meio século depois esse “slogan” ganhou uma nova vestimenta, mais enxuta como deve ser nesse tempo de internet e mensagens com o mínimo de caracteres, tornando-se: “amar é dar presente”. Na ocasião, escrevi um artigo contestando-o, e sugerindo sua substituição por “amar é SER presente”, pois aborrecia-me a ideia passada de que, só quem dava presente amava seu(sua) parceiro(a). Ideia esta que provocou desavenças e término de relacionamentos, simplesmente porque um dos dois não tinha condições financeiras, ou de imaginação, para dar alguma coisa material para o outro.

O “slogan” passou, mas a ideia ficou. Basta observar o enchimento das lojas no período que antecede o Dia dos Namorados, para certificar-se disso. Pior ainda são as entrevistas feitas nas ruas com os ávidos, gulosos e insanos consumidores, muitos deles reafirmando a necessidade absoluta do presente, como uma prova de amor.

Pergunto: num período de crise como esse que estamos vivendo, com tantos milhões de jovens desempregados; com tantos outros vivendo a insegurança do emprego que ainda conservam, por vezes sendo até obrigados a fazer concessões para não perder os parcos salários que cobrem suas despesas indispensáveis; com tantas famílias precisando do essencial para a sobrevivência, como então “comprovar” seus sentimentos pela pessoa amada?

E como avaliar a ética das lojas e instituições financeiras, que aproveitando essa pressão emocional sobre pessoas imaturas, oferecem dinheiro quase de graça (pelo menos é o que sugerem…), prometem facilidades incríveis para os incautos sacarem empréstimos que depois irão amargurar-lhes a existência, levando-os a correr atrás de outros empréstimos para pagar os empréstimos que fizeram, ou as prestações que assumiram, num perverso moto perpétuo, capaz de levar pessoas mais desesperadas até a atos extremos. E o pior é que há quem meça o amor do outro, pela qualidade e pelo valor do presente recebido. Já ouvi absurdos como esse: “Fulano não me ama! Olha só a porcaria que me deu!…” Pergunto: que amor é esse?

Curiosamente, nos países onde a comemoração de São Valentim – Dia dos Namorados, é bem mais antiga, a tradição não são os presentes multiformes e dispendiosos, mas uma simples caixa de bombons ou de chocolate, especialmente acompanhada de um bonito cartão com mensagem sincera, escrita pela própria pessoa. Isso sim, é considerado expressão autêntica do amor que se quer demonstrar. E interessante: o Dia dos Namorados (Saint Valentine’s Day), comemorado há séculos em outros países, nasceu e permanece sendo uma festa de sentimentos e manifestações personalizadas. Aqui no Brasil, com pouco mais de 50 anos, nasceu e continua sendo um evento comercial, oportunidade de consumismo e faturamento, quase sempre frio e sem personalização. Quando muito, as emoções de uma noite no motel…

Temos muito a aprender com as culturas mais antigas e com os povos mais evoluídos.

Do Dom Total