OPOSIÇÃO DEVE VENCER ELEIÇÃO PRESIDENCIAL, APONTA DATAFOLHA

Postado por Valentin Ferreira

PT, Marina e Ciro têm mais chance que Bolsonaro e Alckmin

Por Kennedy Alencar / Em seu Blog

A pesquisa Datafolha divulgada no domingo mostra que a oposição ao governo Temer deverá vencer a eleição presidencial. O levantamento também deixa claro que o ex-presidente Lula, na condição de candidato ou de cabo eleitoral, controla o ritmo do jogo e deverá ter influência decisiva no desfecho da corrida eleitoral.

Lula é líder em todos os cenários de primeiro e segundo turno. Se puder ser candidato, hipótese menos provável, seria franco favorito. Como cabo eleitoral, cenário mais provável, o ex-presidente teria cacife para colocar um candidato no segundo turno, seja ele um petista ou um aliado.

De acordo com o Datafolha, 47% dos eleitores poderiam seguir a indicação presidencial de Lula. O instituto afirma que 30% dos eleitores disseram que votariam com certeza num candidato apontado por ele. E outros 17% afirmaram que poderiam trilhar esse caminho.

É fato que Lula perdeu força no levantamento espontâneo e que não tem o potencial de transferência de voto de 2010, quando 65% dos entrevistados pelo Datafolha afirmavam que votariam com certeza ou que poderiam escolher o nome indicado por Lula. Mas é surpreendente que o ex-presidente mantenha um potencial de transferência de votos de 47% após dois meses preso em Curitiba e com o todo o desgaste que sofreu na Lava Jato.

Lula será um dos principais personagens da eleição. Eventual mudança no cenário da disputa só deverá acontecer após uma definição dele, o que deve demorar. O PT pretende registrar a candidatura do ex-presidente em 15 de agosto e deixar para a Justiça o ônus de eventual veto.

Petistas imaginam que travarão durante duas ou três semanas batalhas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar viabilizar Lula ou se render a uma alternativa. Logo, esse jogo deverá ter lance forte mesmo lá para meados de setembro.

Alckmin e Meirelles estão em apuros

A alta impopularidade do governo Temer contamina candidatos identificados com a atual administração, como Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). A pesquisa mostra que a oposição tem mais chance de vencer a corrida presidencial.

Nos cenários sem Lula, Marina Silva (Rede) cresce de 10% para 14% ou 15%. Ciro Gomes (PDT) sobe de 6% para 10% ou 11%.

Jair Bolsonaro (PSL) fica estacionado, oscilando positivamente dentro da margem de erro. Varia de 17% para 19% no cenário sem o ex-presidente. Alckmin oscila um ponto percentual, de 6% para 7%. Meirelles fica entre zero e 1%.

Ou seja, com ou sem Lula, Alckmin e Meirelles ficam onde estão. Os candidatos com maior intenção de voto são de oposição ao governo Temer. Isso é mau sinal para Alckmin, porque o PSDB é avalista do atual governo e deverá sofrer com essa ligação política durante a eleição. A fadiga de material do projeto de governo do MDB-PSDB chegou rápido.

Tem lógica

Ao segurar o jogo, Lula corre o risco de que outros nomes fora do PT se viabilizem? Sim. De fato, há algum risco. Mas o ex-presidente também protege um eventual futuro indicado, preservando-o do bombardeio que ocorreria no caso de ser lançado agora.

Opção francesa

O Datafolha deixa claro que Bolsonaro é forte no primeiro turno, mas vulnerável na segunda fase. É a nossa Marine Le Pen, um representante de extrema-direita que dificilmente terá apoio majoritário para chegar ao poder.

Subir no ringue

Também fica evidente no Datafolha que o caminho para Alckmin é tomar os votos que estão com Bolsonaro e foram tucanos no passado. Não será tarefa fácil, mas é mais importante do que esse conversa de unificar candidatos de centro-direita, pois são todos, por ora, ruins de voto e pouco acrescentariam a Alckmin, exceto mais tempo de TV e rádio lá na frente.