CENTRÃO DE TEMER E CUNHA, AGORA COM ALCKMIN, CONTINUA O DONO DA BOLA

Postado por Valentin Ferreira

Por Ricardo Kotscho /em seu Blog

O correntista suíço Eduardo Cunha, criador do consórcio do Centrão, está preso em Curitiba.

Michel Temer, o beneficiário, continua confinado no Palácio do Planalto, só esperando o fim do mandato, cercado por denúncias de corrupção contra ele e seus ministros.

Os dois se juntaram ao PSDB em 2016 para derrubar o governo do PT e implantar o projeto dos tucanos derrotados em 2014.

E agora estão novamente unidos com o Centrão, o dono da bola, o melhor retrato do Brasil de 2018, sob o comando de Valdemar da Costa Neto, do PR, aquele mesmo, o Golbery dos novos tempos.

Dono das bancadas BBB (do boi, da bíblia e da bola), o Centrão já mamava nos governos do PSDB e do PT, e se aboletou no de Temer, como quem faz baldeação no terminal de ônibus.

Para eles, tanto faz programa de governo ou de partido, ideologia, projeto para o país.

Pouco importa quem seja o presidente, desde que eles possam dividir o butim e faturar sempre mais. Nem fazem questão de lançar candidato.

O que eles querem é apenas o poder para barganhar cargos e verbas, manter seus feudos nos ministérios e cevar os currais eleitorais nos fundões do Brasil.

Pensando bem, esta gente está no poder desde sempre, nunca largou o osso, nem mesmo no breve interregno dos governos petistas e na longa noite da ditadura militar.

Nasceram e vivem do poder, quer dizer, da chave do cofre do Tesouro Nacional, que é o que lhes interessa.

Há séculos a mais poderosa bancada no Congresso Nacional é a dos ruralistas, latifundiários, fazendeiros, seja lá o nome que preferem.

São os donos de terra e de gente, que dividem o mundo entre quem manda e quem obedece, mesmo os líderes metropolitanos e acadêmicos, que sempre procuram manter um pé na roça para não perder o costume.

Temer, Cunha, Aécio, Alckmin, FHC, Collor, Sarney, Maluf e os demais caciques nativos têm todos a mesma origem e os mesmos interesses.

Nas contas deles, o chamado povo é apenas um detalhe, um acidente de percurso, de quem só lembram na época de eleições.

Juntaram-se todos outra vez, e o MDB logo entrará também neste consórcio do poder, assim que conseguir se livrar do Henrique Meirelles, um estranho no ninho.

O Centrão que, por duas vezes, garantiu a permanência de Michel Temer no governo, após as denúncias da PGR, agora se prepara para continuar lá, de onde nunca saiu.

É a melhor expressão do sistema político brasileiro, com mais de 30 partidos, que em sua maioria se tornaram franquias para chegar ou se manter perto do Tesouro.

De um dia para outro, depois de garantir um latifúndio de tempo na TV, Geraldo Alckmin tornou-se outra vez competitivo.

Resta saber o que pensa de tudo isso aquele pequeno detalhe, quer dizer, sua excelência, o eleitor.

Com Lula preso, eles se sentem mais à vontade para costurar suas alianças com os mesmos de sempre para que nada mude.

Se tudo der certo, na melhor das hipóteses, teremos apenas uma continuação do governo Temer, o mais rejeitado presidente da história republicana.

Bom final de semana.

Vida que segue.