NÚMEROS QUE SANGRAM

Por Valentin Ferreira

Embora seja um país “abençoada por Deus, e bonito (rico) por natureza” o Brasil sente dores profundas com suas graves e crônicas doenças sociais.

Apesar de ser  uma das economias mais poderosas do mundo carrega em seu seio indicadores de pobreza que deveriam envergonhar sua elite econômica e política.

A febre da busca e acúmulo de riqueza sem medidas pela grande maioria da  classe média burra e insensível, alimenta uma espiral cujo sentido está mais próxima de jogá-la ao chão do que empurrá-la degraus acima. Cega e contaminada pelo ódio incurável, não lhe custa remorso algum em pisar sobre os mais fracos se estes lhes servem para galgar um posto a mais.

Com mais de 13 milhões de desempregados, leis e medidas que deveriam gerar oportunidades de crescimento e empregos dão lugar para outras ainda mais perversas que são aprovadas por gente que não terão vergonha na cara em pedir votos para suas vítimas.

Com quase 7 milhões de imóveis desocupados, este governo reduziu os programas habitacionais e empurra para mais longe a oportunidade de abrigar suas 6 milhões de famílias sem moradias.

Com um PIB anual que se distribuído de forma equânime, daria mais de R$ 136 mil por ano a cada família, a maior fatia, em proporção elefântica e sistematicamente conduzida  aos bolsos de meia dúzia de bilionários brasileiros, que sozinhos, têm mais riqueza que a metade mais pobre da população brasileira, ou, mais de 100 milhões de pessoas.

E os assassinatos? As mortes violentas equivalem a um Boeing 737 lotado que cai diariamente em território brasileiro. São números que superam a muitas guerras. Foram 62.517 homicídios em 2016, em sua maioria jovens entre 15 e 19 anos, negros e de periferia. Nem é preciso dizer da violência contra mulheres, crianças e idosos.

É neste cenário que o discurso fácil contra a violência sensibiliza os incautos e elege dezenas de parlamentares da pior qualidade que nada vão fazer nesta ou em qualquer outra área.

Fome. De 2014 para cá, com início da crise econômica, dobrou o número de pessoas em condição de miséria extrema, segundo o IBGE. Quatro  anos atrás, 7 milhões de brasileiros não tinham o que comer. Hoje, mais de 13 milhões passam fome no Brasil. Estamos falando do maior produtor de alimentos do mundo.

Os números são frios.

Porem ao se referirem a seres humanos e vidas perdidas, mãos e mentes, guardam relação profunda e impagável quando nossa omissão ou posição contribuem para aumentá-los.

A frieza  dos números das planilhas governamentais  tingidas de vermelho, é o cruel retrato do dia a dia de vidas que não têm a menor importância para essa gente.

Não dá para não se lembrar dessa barbaridade na hora de votar!

O simples gesto de apertar uma tecla na urna eleitoral, pode contribuir, e muito, para melhorar ou piorar esta triste realidade que contabiliza a cada dia estes números que sangram, exaurindo vidas inocentes.

Valentin Ferreira