A QUEM INTERESSA VER POBRE MATANDO POBRE?

Por Valentin Ferreira

Ontem eram escravos e submetidos a violência física e todo tipo de humilhação. Hoje, os submetidos são os pobres, pretos ou brancos, subjugados pela manipulação e marginalização. Pela mentira vendida como forma de vingança. Vingança contra quem? Contra seus iguais.

Quando parte da classe média, que serve de marionete para a elite dominante, viu que a   população pobre subiu alguns degraus na escala social, frequentando os mesmos ambientes que outrora foi dela, bastou para que, como cães de guarda, vestidos de amarelo, avançasse sobre nossa frágil democracia e interrompesse o processo de resgate social em andamento.

O golpe de 2016, sob a bandeira do combate a corrupção, serviu como instrumento catalizador para convencer até mesmo aqueles que nunca tiveram vez nem voz, e fazer o Brasil voltar à tutela dos senhores da grana. Não que haviam perdido domínio. Mas os pobres estavam construindo um novo horizonte para suas vidas. O que é direito.

Com o argumento do “anti-tudo o que está aí”, criminalizou-se a política, politizou-se o judiciário, e venezuelaram o então modelo em construção. Incriminaram inocentes. O medo que pulsava diante do desemprego, violência e falta de segurança e de perspectivas, transformou-se nos ingredientes que precisavam e sob o rótulo falso, o modelo antigo foi vendido pela mídia venal como a “ponte para o futuro” arquitetada pelos donos do golpe.

A dose do veneno do ódio aplicada sistematicamente no tecido social por essa mídia e pelas redes de comunicação pessoal completou o serviço, agora já com o formato violento e de um horizonte de horrores.

O veneno passou dos limites e o embrutecimento vestido com roupas de vingança, varreu o centro político fazendo arrepiar até setores poderosos que ainda não decifraram em que isso pode dar. No pacote do “anti-tudo”, o antipetismo ajudou-os a atrair até setores que foram beneficiados pelas políticas sociais do então governo petista.

Hoje, às vésperas de uma decisão política crucial, sobraram duas propostas. Uma já conhecida que contempla todos os setores sociais, sem discriminação, mas com prioridades para os que mais precisam. E do outro, uma aventura cujo caminho o mundo já conhece e que pode nos levar a um abismo sem fundo.

Os sintomas deste futuro incerto já mostram suas garras de intolerância e violência.

Não sei se haverá tempo para mudar o curso desse triste destino. Porém o que já dá para vislumbrar é que a guerra já travada, que só faz vítimas entre pobres e pretos, tende a se radicalizar. Os idealizadores deste País incerto onde todos iremos mergulhar, continuarão a usufruir das riquezas e protegidos por seguranças, enquanto os números da violência continuarão do mesmo lado: Pobres matando pobres.

Não nos enganemos: os relhos e chicotes do passado, hoje assumiram a roupagem inocente de promessas vazias e mentiras que circulam pelas redes, convencendo as frágeis consciências a praticar sua própria justiça contra aqueles que precisam da sua solidariedade.

É a “guerra” entre os iguais para o deleite dos que odeiam pobres: Pobres matando pobres, incluindo policiais cuja maioria vem das classes sociais populares.

Nos próximos dias as fake-news continuarão a darem seu recado, mentindo sorrateiramente para fazer o anormal brutal parecer simples fatos do dia-a-dia. E o circo de horrores, sob os olhares insensíveis dos que pretendem vender solução fácil, continuará com seus “espetáculos” pelas ruas das cidades, cada vez mais marcadas pelo sangue dos pobres, parte deles crianças, mulheres e jovens muitas vezes,  indefesos e inocentes.

A sociedade justa que se pretende, tem lugar para todos viver com dignidade e realizar  seus sonhos. Respeitando as diferenças, as culturas, as religiões. Com justiça social e Justiça sem lado.

Esse lugar privilegiado é o  Brasil !

Valentin Ferreira