NÃO É HORA DE TER MEDO. É HORA DE RECONSTRUIR A NAÇÃO

Por Valentin Ferreira

Uma Nação dividida foi às urnas neste 28 de outubro. Os números de votos dos dois candidatos a presidente confirmaram isso. Bolsonaro se elegeu com 55% e Haddad recebeu 45% dos votos válidos.

Este 28 de outubro, não foi um dia normal. Foi silencioso, clima tenso, apreensão, desesperança. A grande maioria sabe que fosse quem fosse o vitorioso, seus problemas não terão solução tão rápida. Se tiver.

Este sentimento foi detectado por pesquisa recente do Datafolha, onde, entre outras questões, foi perguntado: Quando pensa no Brasil de hoje, você sente…?.

O levantamento mostrou que 88% dos participantes se sentem inseguros; 79%, tristes; 78%, desanimados; 68%, com raiva; 62% manifestaram medo do futuro e 59%, mais medo que esperança. (bbc Brasil)

Esse diagnóstico deve ter-se acentuado com a intensificação das “guerras” nas redes sociais e a elevação da temperatura do clima neste segundo turno das eleições. A negatividade foi a tônica principal partilhada por milhões de pessoas, principalmente a juventude.

Em reportagem de Renata Turbiane para a BBC Brasil, muitos profissionais das áreas de psicologia e psiquiatria relataram e confirmaram o triste quadro mostrado pelos números acima.

Veja alguns desses relatos:

“A polarização provocada pelas eleições, resultando em brigas entre familiares, amigos e até desconhecidos, e a insegurança no trabalho, por conta das posições políticas dos chefes, têm levado muita gente para os consultórios e se tornado o ponto central das conversas com médicos e terapeutas. ”

“De acordo com o psiquiatra paulista Luiz Scocca, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da APA, cerca de 80% dos pacientes que entram na sua sala falam sobre política. ”

“No dia a dia do especialista, são os jovens quem mais chamam sua atenção. “Eles estão tensos, inconformados e até frustrados. Os mais novos, em geral, têm dificuldade de lidar com frustrações. Não à toa, os diagnósticos de depressão têm aumentado em cerca de 30% na faixa de 17 a 25 anos”, complementa. ”

“O psiquiatra destaca ainda que este é o grupo etário que está mais exposto às redes sociais e aos aplicativos de conversa, locais onde imperam as informações negativas, os discursos de ódio e as fake news. ” Veja matéria completa aqui.

O caminho de volta não será fácil. A reconstrução do estado de espírito de muita gente, será uma tarefa complexa. Desarmar almas inquietas e impregnadas de ódio e preconceitos é obrigação de todos, principalmente para aqueles que se “alimentam” das redes sociais, onde trafegam negativismo e ódio em estado líquido e com potencial explosivo inimaginável.

Uma coisa é certa: as pessoas são boas por natureza. Não se pode jogar a água da bacia com o neném junto.

É muito mais simples e fácil ser simpático, solidário, generoso e amoroso com as outras pessoas, que tê-las como seres a serem destruídos só porque pensam diferente da gente. A diversidade é  mola mestra, que, se entendida com respeito ao outro, nos faz crescer como humanos e compreensivos com o direito que têm outras pessoas de serem diferentes da gente.

O presidente eleito, em sua primeira aparição ficou diante de  um exemplar da Bíblia e um da Constituição do Brasil, nossa lei maior.
Nesses  dois documentos estão expressos preceitos que contrariam em boa parte a pregação ameaçadora e violenta que fez Bolsonaro em seus discursos. Tomara que fique somente no campo dos arroubos inflamados do clima eleitoral.

Que ele reoriente seus simpatizantes e militantes a deporem as armas empunhadas pelo estado de ódio e recarregadas a partir de seus estimulantes e  explosivos discursos.

Apesar de tudo isso, ainda apreensivo com as ameaças explicitas ou veladas feitas por Bolsonaro às minorias e aos que pensam de forma diferente do seu grupo, espero com fé nas letras da Constituição e nos escritos bíblicos, que os novos governantes ajudem o Brasil a refazer-se como Nação. Onde todos possam continuar a ir e vir, se expressar sem censura, terem seus direitos básicos garantidos e que as riquezas nacionais e sua soberania não sejam entregues de mão beijada às corporações e países estrangeiros.

Temos que respeitar a vontade da maioria, mas jamais descuidar das atitudes dos governantes que venham trazer prejuízos à Democracia e a cidadania.

Valentin Ferreira