QUAL É O VALOR DAS VIDAS CEIFADAS EM BRUMADINHO?

Por Valentin Ferreira

No meio desta madrugada, assalta-me os sentidos ao acordar e lembrar das cenas do crime do Brumadinho.

Tentava imaginar e medir o sofrimento das pessoas que foram levadas pelo mar de lama. O que pode ter passado pela cabeça de cada uma delas naquele lapso de tempo. Os minutos ou mesmo alguns segundos para pensar em seus familiares e amigos ou tudo o que lhes representava valor.

Por algum tempo fiquei acordado e pensando no sofrimento daqueles intermináveis segundo quando a escuridão da lama lhes arrancava deste mundo. A agonia pela falta de oxigênio e os últimos esforços em favor da vida.

Perguntas e mais perguntas fazia eu, tentando encontrar alguma explicação para aquele e outros tantos eventos em que a estupidez da morte não dá a mínima possibilidade para a vida.

Lembrei-me da advertência de Sêneca que passa longe das nossas preocupações diárias, quando alertou em seu “Sobre a brevidade da Vida”: “é preciso durante toda a vida aprender a viver e, o que talvez cause maior admiração, é preciso durante toda a vida aprender a morrer”.

Qual de nós tem essa bendita preocupação mesmo sabendo que nascemos para um dia morrer. É a única certeza que temos.

Na minha fraqueza e ignorância buscava estupidamente alguma justificativa para tamanha estupidez daquela tragédia. E os porquês se multiplicavam.

A estupidez e a ganância por lucros e mais lucros em total desrespeito às vidas humanas foi a mais importante das causas. Claro. E os inocentes, mais uma vez, pagaram com o mais alto preço.

Da angústia à revolta passava eu, com o coração apertado, agora com o pensamento nas pessoas que perderam seus entes e seu pouco de quase nada.

O que adianta as autoridades omissas dizer agora que R$ 5 bilhões de reais foram confiscados para pagar os estragos. Já precificaram que o número de vítimas alcançará as centenas. O tempo irá dizer que a maior parte desse valor voltará para os bolsos de seus donos. Que a exemplo de Mariana as vítimas continuam sendo vítimas.

A maior das corrupções é tripudiar sobre vidas. E nesse tipo de crime os paladinos da justiça são coautores. No fundo é tudo uma questão de dinheiro. O mesmo dinheiro usado na venda do Filho de Deus.