UM BRASIL PARA OS BRASILEIROS. SEM MOLECAGEM.

Por Valentin Ferreira

Forças e setores militares que viabilizaram, avalizaram e participaram com peso graúdo na eleição e agora no governo do ex-parlamentar, devem estar coçando a cabeça com o comportamento de seu comandante em chefe, depois do que tem acontecido- nem é preciso citar – e que infelizmente como uma avalanche devastadora, só tem aumentado.

Como um falcão o vice-presidente – também militar – aproveitando as escorregadas do chefe, tem procurado se sobressair, e, claro, está pavimentando, e talvez, até encurtando seu caminho rumo ao lugar do hoje chefe capitão. O tempo corre contra o capitão, e o vice voa velozmente.

Ainda que se dê os devidos descontos com o clima carnavalesco, nenhum brasileiro ou brasileira com um mínimo de bom senso e cidadania pode aceitar e tolerar que seu chefe de estado se permita a fazer o fez e o que tem feito.

Mesmo que, segundo o professor da USP, Pablo Ortellado,  essa seja uma estratégia “para manter o estado de agitação e a necessidade de mobilização permanente de seus apoiadores” via intenet, isso só tem feito aumentar  o descrédito sobre o despreparado  mandatário.

Fala-se em impeachment. Ainda estamos soprando as feridas provocadas pelo impeachment 2016. O saldo político da aventura perpetrada pelos que golpearam a Democracia – entre eles bolsonaros e afins – levou ao desastre social percebido no desemprego e toda sorte de males que dele brotam.

Em apenas sessenta dias do novo (antigo) governo, já deu para perceber onde este cidadão pode levar os 210 milhões de brasileiros, se nada for feito. É notório que nem a oposição tem projeto ou sabe o que fazer neste momento para recolocar o país, minimamente, numa direção que lhe traga de volta posição que ostentava.

Um acordo de gente grande envolvendo a parte não contaminada do governo (leia-se militares) com a parte da oposição propositiva, pode ser uma clareira a se abrir no matagal fechado e sem bússola que este cidadão e seus três pupilos estão conduzindo o país.

Quando se olha o trem do Executivo indo ladeira abaixo, a par disso não se vislumbra nos outros poderes nenhuma liderança de porte estadista capaz de contribuir para a necessária saída que a nação urgentemente precisa.

Os traumas deixados pelo golpe são profundos considerando os estragos da lava jato que lavou um só lado;  por seu lado ,o Legislativo que seguiu  a própria sombra  olhando o próprio umbigo da reeleição. Sobrou um Judiciário partidarizado e submisso a pauta curitibana e seus falsos atores. Tudo somado levou à esquelética política, onde qualquer um  faz o que faz para ver o que vai dar.

O horizonte é preocupante quando se pensa em recolocar o Brasil no lugar de onde nunca deveriam ter tirado. Ainda que com muitos problemas a resolver, mas, sob os princípios da Constituição, o jogo democrático  teria de ter seu curso normal como tem nas democracias adultas.

Espera-se por um horizonte de paz. Um Estado que leve em conta a Nação. Onde não pode existir meia dúzia de magnatas com riqueza igual a cem milhões de pessoas. Onde a Constituição não seja apenas um verbete importante, mas uma Lei que seja respeitada – até pelo Judiciário – e que dê suporte à Democracia e a seus valores.

Somos um pais gigante e não um playground servindo aos caprichos da molecagem.