SOMOS TODOS MARTA?

Por Blog do Valentin

Por Valentin Ferreira

Numa dessas tardes de domingo, estou vendo na TV uma partida de futebol. Chega o neto Thomas, e senta-se ao meu lado. Após um apertado abraço, continuo vendo o jogo. Não passou um minuto, quando ouvi:

-Aqui na sua casa você não desliga a TV para conversar com as visitas?

Meio atordoado pela surpresa da questão, pensei um pouco para responder:

-Olha, você não é visita. Você é da família.

Não satisfeito com a resposta, veio mais uma paulada.

-Acontece que saí de casa porque lá meu pai também estava vendo o jogo. Vim aqui para sair brincar um pouco você, Vô.

Continuei colocando mais alguns argumentos para justificar minha opção pelo jogo, mas não adiantou. Vieram outros questionamentos mais agudos a ponto de ele juntar suas bugigangas e em tom desafiador lascar:

– Então vou me embora!

Acuado pelo desafio, fiz valer a “minha autoridade” e cresci em cima de um garoto de apenas sete anos.

-Olha, disse,  eu prometo que assim que o jogo terminar, nós vamos sair e brincar. Certo?

Um breve silencio ocupou o tenso ambiente. E aí veio a segunda paulada, que eu não esperava:

-Vou te dar mais uma chance – disse ele, agora, já  em tom conciliador.

-Eu vou ficar. Vou esperar o jogo acabar para a gente sair.

A sentença me desmontou. Tamanha foi a “bofetada” moral que não tive outra reação a não ser agradecer sua compreensão e paciência “comigo”. Minha consciência – agora mais pesada – me pedia para deixar imediatamente o jogo. Teimosamente, aguentei firme.

Este fato se fez presente na reflexão, quando no último fim de semana o Evangelho de Lucas trouxe a narrativa da visita de Jesus à Marta e Maria. Diz que, enquanto Maria se ocupava de receber e dar a devida atenção ao Mestre, Marta se ocupava dos afazeres da casa.

Como você, caro leitor, já conhece o conteúdo (Lucas 10,38-42) não será preciso detalhar, até porque não sou a pessoa certa para explicar as Sagradas Escrituras.

Porém, os dois fatos (do meu neto e o de Marta e Maria) tem uma relação estreita quanto ao que é prioridade nos vários momentos da vida. Vivemos uma correria desgraçada que já não sabemos mais o que é o MAIS importante a cada momento.

Poderia ter aprendido mais, brincando com meu neto, priorizando sua companhia, que com o tempo que passei vendo o jogo. Mas a gente vai aprendendo. Talvez, um pouco tarde, no meu caso.

Neste tempo de muitas ocupações e de pouca felicidade, sem perder de vista as responsabilidades que todos temos com nossas obrigações profissionais ou domésticas, não dá para ignorar a séria advertência feita pelo Mestre: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas”

Como a vida é curta, não dá para esperar muito para responder: quanto de tempo precisamos ser “Maria” e o quanto precisamos deixar de ser “Marta”.

Uma resposta para “SOMOS TODOS MARTA?”

  1. É uma verdade esse seu relato. As vezes priorizamos coisas inadequadas em detrimento de outras.
    Abração.

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