FALTA DE DISCERNIMENTO, UM MAL DE NOSSA ÉPOCA

A falta de discernimento é um mal em nossa época. Ela resulta do apego ao que parece prático e da desvalorização do pensamento reflexivo – considerado, de modo geral, como perda de tempo. Discernir, ou seja, perceber diferenças, torna-se cada vez mais difícil em um mundo a cada dia mais bruto e inconsciente de sua brutalidade.  Perceber diferenças sutis é ainda mais difícil porque a própria percepção foi invadida e colonizada pelas novas tecnologias em um processo histórico cada vez mais acelerado e tendo a própria ideia de rapidez como um valor. 

A Revolução Industrial implica uma revolução na percepção. A história das tecnologias é a história da mudança da percepção. As pessoas, que antes eram obrigadas a esforçar-se em nível físico para perceber algo, são auxiliadas agora por aparatos técnicos. Há hábitos comportamentais e mentais que derivam dessa relação com tais aparatos. Lembremos do problemático uso da máquina de calcular nas escolas. Todos que estudaram matemática na infância sem usar esses mecanismos devem ter introjetado uma metodologia de pensamento e, mesmo que não lembrem mais de aritmética, provavelmente ficaram marcados pela experiência do esforço de encontrar soluções.

Aprender a fazer cálculos sem máquina implica um alto nível de desenvolvimento da capacidade de discernimento. Do mesmo modo que aprender a escrever à mão.  Podemos chamar de aprendizado orgânico aquele que surge sem o intercurso de máquinas. Ler, escrever e desenhar são seus exemplos mais simples.

Artigo Completo: REVISTA CULT