MAIS UMA VEZ O PETRÓLEO É MOTIVO PARA INCENDIAR O MUNDO

Por Leandro Valente(*)

1- Esqueçam essa história de que o petróleo está se tornando um produto irrelevante. O petróleo ainda é o motor da guerra, e deverá ser por muito tempo. Na há guerra sem energia, não há guerra contemporânea sem petróleo. Nenhuma potência considera o petróleo um produto a partir da lógica econômica que se ouve na TV. Petróleo é produto geopolítico, tem outra lógica. Comparar petróleo ao trigo é coisa para neoliberal de periferia.

2 – A máquina de guerra dos EUA não precisa do petróleo do Irã. Então qual o motivo da cobiça? Resposta complexa, mas em resumo reducionista: a lógica da geopolítica do petróleo não consiste apenas em se ter petróleo, tão importante quanto é evitar que outras potências tenham esse tipo de recurso em abundância. É travar, impor custos e dificuldades logísticas aos rivais. O Irã, na prática e em potencial, é um fornecedor de energia para máquinas de guerra na Ásia, tudo o que não pode acontecer. A Ásia é o terreno prioritário para a manutenção da hegemonia estadunidense. Sem a Ásia, os EUA são apenas uma potência regional.

3 – O Irã é um país de desenvolvimento médio, economia relevante, investidor em áreas cruciais de educação e tecnologia, e país que compete com a Arábia Saudita pelo papel de liderança no Oriente Médio. Trata-se de um polo com enorme capacidade de atração e que trabalha pela perda da influência estadunidense, e que por isso precisa ser contido.

4 – Para China e Rússia, a manutenção do regime iraniano e o consequente posicionamento do país nesse tabuleiro é essencial para conter eventuais avanços dos EUA na Ásia. Conter os EUA na região é objetivo prioritário para Moscou e Pequim, o que torna qualquer crise na região ainda mais séria. Por outro lado, faz com que Teerã tenha orientação pela prudência e garantias de subterrâneo. Política sem impulsos, jogada sem amadorismo e com retórica na medida certa. Isso, contudo, não deve evitar retaliações de grupos em forma de atentados nos EUA e em alvos estadunidenses pelo mundo. A tensão vai aumentar.

Começou mais um chicken game. Perde quem piscar primeiro.

(*) Escritor, professor e jornalista. Pesquisador de Relações Internacionais na  Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trabalhou como Professor e pesquisador na no Instituto de Relações Internacionais e Defesa – IRID