JOÃO PEDRO, MAIS UM JOVEM- NEGRO-ASSASSINADO

Por  Júlia Warken

Na tarde da última segunda-feira (18), a vida de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi brutalmente interrompida. Enquanto estava na casa dos primos, ele foi morto por policiais que participavam de uma ação das polícias Federal e Civil e que contava também com o apoio da Polícia Militar. O caso aconteceu no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Seis adolescentes estavam reunidos quando os policiais invadiram a casa. João Pedro foi atingido na barriga e outros diversos tiros foram disparados, como mostram as fotos das paredes da casa. O menino foi levado de helicóptero e nenhum familiar pôde acompanha-lo. A família também não foi informada sobre o destino de João e precisou procurar por 17 horas, até encontra-lo no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo.

“Foi assim que eles [os policiais] falaram para mim: ‘Os bandidos trocaram tiros conosco, tinha bandidos no seu quintal’”, relata Denise Roza, tia de João Pedro e dona da casa onde ele foi assassinado. Em nota, a Polícia Civil diz: “Durante a ação, seguranças dos traficantes tentaram fugir pulando o muro de uma casa. Eles dispararam contra os policiais e arremessaram granadas na direção dos agentes. No local foram apreendidas granadas e uma pistola”.

Em entrevista a CLAUDIA, Denise contesta a versão dos policiais de que houve troca de tiros no local. “Se tinha bandido lá [na casa], eles correram. Trocar tiro, eles não trocaram”. Ela afirma isso com base na localização dos furos de bala que podem ser vistos nas paredes. De acordo com a tia de João, há 68 furos em uma direção e apenas três na outra. “Tem três tirinhos lá na parede, que eles mandaram eu ver e falaram ‘tá vendo como eles trocaram tiro com a gente?’. Dá a entender que eles forjaram aquilo ali para dizer que teve tiro contra eles. No total, com esses três tiros, a gente que não é perito de nada, contamos 71 tiros. Três tiros na parede contra eles, quantos que sobram para a casa? Entendeu? Foi forjado. Ninguém precisa ser especialista pra ver”.