POLÍCIA FEDERAL CONCLUI: DELAÇÃO DE PALOCCI ERA UMA “NOTA DE 3 REAIS”.

Antonio Palocci: o delator “prêt-à-porter” tem sempre uma acusação pronta, na ponta da língua, para satisfazer a demanda. E, claro, o alvo é sempre o samba de duas sílabas só: LU-LAImagem: Wilson Pedrosa/Estadão Conteúdo

Quem não se lembra do estardalhaço que a Lava Jato fez ao divulgar dias antes da eleição de 2018, a delação de Antonio Palocci. Só no Jornal Nacional foram 8 minutos de blá-blá-blá, sempre tendo Lula alvo e como o vilão.

Pois é agora a Polícia Federal concluiu inquérito sobre o assunto e qual foi a conclusão: foi tudo uma farsa para ajudar a eleger o Jair. Reproduzo abaixo artigo de Reinaldo Azevedo com detalhes, sob o título Farsa de Palocci contra BTG e Lula é desmoralizada pela própria PF.

Continuar, hoje em dia, a ser um adorador do lavajatismo não é mais uma questão de viés interpretativo ou de escolha por um modo particular de combater a corrupção, que poderia ser truculento, mas, vá lá, legal e eficaz. Truculento é. Legal e eficaz nunca foi. Estamos diante de uma questão de caráter — e de mau-caratismo mesmo. A que me refiro?

A peça de ficção criada por Antonio Palocci, a que alguns chamam de delação premiada, tem 23 anexos, que vão gerando inquéritos. Um desses investigou supostos vazamentos para o banco BTG Pactual — que teriam ocorrido entre 2010 e 2012 — do conteúdo de reuniões do Copom. Segundo Palocci, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, antecipava ao banco, comandado por André Esteves, a decisão que seria tomada pelo comitê, o que permitiria à instituição, de posse de informações privilegiadas, fazer apostas certeiras no mercado.

Para tanto, seria usado o fundo de investimentos Bintang, que era, de fato, administrado pelo BTG, mas cuja direção nunca pertenceu ao banco. Ah, sim: em troca desse servicinho, o banco de Esteves administraria uma conta secreta cujo beneficiário seria, ora, ora, ninguém menos do que Lula.

Ah, não! A acusação de Palocci não saiu de graça para o BTG Pactual. No dia 3 de outubro do ano passado, o banco foi alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da operação Estrela Cadente. As ações chegaram a cair quase 10%, recuperando-se depois, quando ficou claro que o BTG não tinha o comando do Bintang.

O QUE ESTÁ CLARO AGORA?

Relatório do inquérito aberto para apurar o caso, concluído pelo delegado da Polícia Federal Marcelo Feres Daher no dia 11 deste mês e enviado ao MPF, conclui que as acusações feitas por Palocci “foram desmentidas por todas as testemunhas, declarantes e por outros colaboradores da Justiça”.

Daher escreve um troço que deveria levar certo jornalismo à reflexão: “As notícias jornalísticas, embora suficientes para iniciar o inquérito policial, parece que não foram corroboradas pelas provas produzidas, no sentido de dar continuidade à persecução penal”.

O delegado afirma ainda que não há evidências nem de que o BTG comande o fundo Bintang nem de que este tenha obtido benefícios em razão de informação privilegiada. Da mesma sorte, não surgiu nenhum indício de que o BTG administrasse alguma conta tendo Lula ou o PT como beneficiários.

Notem: o MPF havia se negado a fazer um acordo de delação com Palocci. Quem se encarregou de fechar o dito-cujo foi a Polícia Federal, e a homologação foi feita pelo TRF-4. É aquele tribunal federal de segunda instância que endossa todas as sentenças da 13ª Vara Federal de Curitiba contra Lula e ainda majora a pena.

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