QUAIS OCUPAÇÕES SERÃO MAIS DEMANDADAS NO PÓS-PANDEMIA, SEGUNDO O SENAI.

Estudo sobre atividades técnicas prevê um mercado aquecido para as áreas de tecnologia e logística. Novas funções devem surgir para atender a mudanças de comportamento de pessoas e empresas

Por Isabela Cruz / Nexo Jornal

Um estudo do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) publicado nesta segunda-feira (21) analisou o uso de tecnologias no ambiente profissional e as possíveis mudanças na estrutura organizacional das empresas para projetar como estará o mercado de trabalho para as atividades técnicas depois da pandemia.

Uma das previsões é a de que programadores multimídia e técnicos em mecatrônica e automação industrial se tornarão mais demandados, para dar conta do aumento no uso dos ambientes virtuais – tendência que têm se intensificado em setores como os de entretenimento, com as lives de artistas, e a medicina, com consultas e operações a distância.

Novas ocupações também deverão surgir nesse contexto, como a de analista de soluções de alta conectividade, especializado na estrutura 5G de internet – a quinta geração da tecnologia sem fio, mais veloz. O governo federal planeja o leilão das frequências da nova estrutura para 2021.

“A pandemia intensificou, de forma dramática, esse processo de atualização tecnológica, o que deve antecipar para 2021 e anos seguintes uma demanda que estava prevista para daqui a cinco ou dez anos” diz Rafael Lucchesi diretor-geral do Senai

O estudo, elaborado por comitês técnicos setoriais, foi feito a partir da consulta a representantes de empresas e de universidades, numa metodologia já avaliada como bem sucedida pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). O objetivo da iniciativa é dar subsídio para a preparação de novos desenhos curriculares pelo Brasil.

Abaixo, o Nexo lista as tendências apontadas pelo Senai e quais áreas profissionais podem surgir ou se aquecer em decorrência delas.

A manutenção das atividades remotas
Entre as adaptações da pandemia que devem transformar o mercado de trabalho está a adoção mais ampla do home office entre funções que permitem esse arranjo. O trabalho em casa, modelo que enfrentava resistência em muitas empresas, se mostrou um caminho viável para manter as atividades e reduzir a circulação de pessoas nas cidades, uma necessidade para frear o avanço do novo coronavírus.

O trabalho a distância dá sinais de que irá perdurar depois do fim da pandemia. Além das questões sanitárias, a adoção do home office durante todo o tempo ou em alguns dias da semana permite a redução do espaço físico das empresas e constitui uma oportunidade para cortar custos operacionais.

90% das empresas que adotaram mudanças por causa da pandemia alteraram seu modo de operação, o que inclui a adoção da prática de home office, segundo um levantamento do Ibre/FGV

56% das empresas que adotaram mudanças devem manter integral ou parcialmente as alterações no pós-pandemia, segundo o Ibre/FGV

A Petrobras, por exemplo, que emprega mais de 28 mil funcionários administrativos pelo Brasil, anunciou no final de agosto o plano de adotar de forma permanente o modelo de trabalho remoto, por até três dias na semana, caso seja de interesse do funcionário. Também há um movimento de diversas empresas desocupando escritórios alugados.

Segundo o Senai, isso deve levar à criação de uma nova profissão, a do orientador de trabalho remoto. Esse especialista ajudaria os funcionários a, por exemplo, se adequar às ferramentas de informática e às rotinas do teletrabalho, bem como a adotar medidas para garantir saúde física e mental.

As atividades remotas também prometem continuar no ensino. Nesse âmbito, o Senai prevê o surgimento da ocupação de desenvolvedor de aulas para a educação a distância e online. Além do conhecimento específico da disciplina a ser oferecida, desse profissional será exigido saber lidar com tecnologias como realidade virtual e aumentada, inteligência artificial e impressão 3D.