A GUERRA DA VACINA REVELA UM PAÍS ACOVARDADO

Por Moises Mendes

A guerra de Bolsonaro contra a vacina que ele considera comunista tem provocado reações típicas do Brasil acovardado, que ainda está longe de ser um Chile, uma Argentina ou uma Bolívia.

Reações de indignação de autoridades não querem dizer nada. Nada. Absolutamente nada. A população pode dizer nas redes que está indignada, repetindo um clichê que ficou gasto e sem sentido.

Mas autoridades, de qualquer área, não podem ficar dizendo que estão surpresas e indignadas. Reações de indignação são o despiste para a incapacidade das instituições de cumprirem com o seu dever.

Bolsonaro comete um crime contra a saúde pública ao fazer terrorismo contra a única chance de contenção da pandemia.
Isso foi o que Bolsonaro escreveu no Twitter, como se desafiasse os que devem enfrentá-lo com a força da lei:

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha.”

Ao atacar a vacina do laboratório Sinovac, para assim atacar a China e Dória Júnior, Bolsonaro dissemina desconfiança em torno de todas as vacinas. E pisoteia as instituições.

Mas as instituições brasileiras se calam porque são apáticas e covardes. Ninguém se atreve a enfrentar os crimes de Bolsonaro.

A única instituição que afronta de fato o poder da família Bolsonaro é o Ministério Público do Rio. Todo a estrutura do sistema de Justiça foi imobilizada. A maioria discursa em latim só para fazer jogo de cena.

O Brasil deve ser hoje um dos países mais acovardados do mundo, não só pela resignação generalizada e pela supremacia das ignorâncias, mas porque as instituições são submissas ao fascismo.