CARTA FECHADA AO FALSO MESSIAS

Ao invés de ‘carta aberta’, como as que pululam por aí, mando uma “fechada”

Por Ricardo Soares*

Pululam por aí, sempre, em horas cruciais, cartas abertas a autoridades, a novos poderosos, a recém-eleitos como agora o novo dono do mundo Joe Biden. Por isso ao invés de “carta aberta” eu mando uma “fechada” ao senhor,  elemento que ora nos desgoverna e, sem dúvida, tem sérios problemas de sanidade mental como comprovam suas mais recentes e lamentáveis declarações.

Senhor falso Messias: sua prepotência e megalomania nunca me intimidaram e nem  aos cidadãos humanistas de nosso país. Muito menos sua desqualificada ironia, que é aquela que possuem os presunçosos que se acham mais do que de fato são. O senhor desde sempre se teve em alta conta e não o condeno por isso. Foi eleito por uma malta de desinformados que nem leva em conta sua péssima retórica, anacrônica e cafona num país onde os políticos mal sabem concordar sujeito com verbo.

O que o senhor está fazendo é interpretar o papel que criou para si mesmo, o de palhaço de um circo mórbido. O de sujeito probo, determinado, assertivo, agressivo na defesa dos seus eleitores e do interesse público. Tudo ilusão.

Não vou assacar qualquer aleivosia contra vosmecê além das que todos enxergam quando assistem a suas patéticas performances. Não direi o quanto o senhor é autoritário e autocentrado e muito menos o quanto é um sujeito de péssimas frequências energéticas. Só exala o bafo podre da mentira, da maldade, do rancor. Se não queria ter tanto trabalho que não se candidatasse a nos desgovernar.

Não, não senhor falso Messias. Não falarei aqui das suas incongruências, não falarei da sua deseducação, da sua valentia seletiva, da sua soberba e arrogância e nem do quanto o senhor é um ignorante terminal. Na verdade, venho lhe fazer um pedido. Sei que posso como cidadão brasileiro. Por favor, senhor falso Messias. Deixe-nos em paz, entregue a rapadura. O senhor já enjoou do “brinquedo”. Desista da vida pública porque sua ausência preencheria uma enorme lacuna já que eu, tu, eles, todos os humanistas sabemos que vosmecê nada tem a acrescentar a não ser um repertório de obviedades e maldades ditas em tom contundente. Como se o senhor fosse o salvador da pátria quando não passa de um risível fantoche de interesses retrógados e fascistas.

O senhor lançou cedo a corrida sucessória de 2022. Foi o primeiro a queimar a largada sem sequer ter feito a lição básica de casa no seu primeiro ?” e se Deus quiser último ?”mandato. Não desceu do palanque e nem moderou o vocabulário agressivo. Vive em guerra constante contra tudo e todos os que não endossam as suas loucuras.

O pedido para que o senhor saia da vida pública não é porque temo por sua vitória improvável em 2022. Mas porque acredito que sua participação sempre faz muito mais mal do que bem ao jogo democrático. Por que? É simples. O senhor além de não respeitar regra de jogo nenhum é o primeiro a enfiar os dedos nos olhos dos adversários, mestre em desferir tosca truculência verbal aos seus desafetos. Seu desequilíbrio já deveria tê-lo feito pensar que é mais do que hora de consultar ajuda profissional. Seu caso, mais do que psicológico, é psiquiátrico. O senhor se considera um “ungido”. Mas, perdoe pela conclusão óbvia, não passa de um patético falso Messias.  Poupe-nos, pois, das agruras do processo de ter que aturá-lo mais dois anos e recolha-se à sua insignificância. Vá se tratar. Será muito melhor para o Brasil. Poupe-nos da sua presença no duro processo sucessório que está por vir. Precisamos de paz e entendimento e não de alguém expert em jogar gasolina no fogo. Um incendiário irresponsável.

*Ricardo Soares, diretor de tv, roteirista, escritor e jornalista. Publicou 9 livros, o mais recente ‘Devo a eles um romance’.

Originalmente publicado por Dom Total