BOULOS FOI A ESTRELA DA ELEIÇÃO

Ex-prefeita Luiza Erundina e Guilherme Boulos

Dez fatos sobre a eleição em SP: Do salto de Boulos…

Por Leonardo Sakamoto

O primeiro turno da eleição à Prefeitura de São Paulo terminou. Os paulistanos decidiram que Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), dois candidatos que criticam duramente Jair Bolsonaro (sem partido), fossem para o segundo turno. Independentemente de quem ganhe, a extrema direita saiu derrotada na capital – o que abre uma série de perguntas sobre 2022. O candidato do presidente, Celso Russomanno (Republicanos), terminou em quarto lugar, ostentando 50% de rejeição, mesmo valor da taxa de reprovação de Bolsonaro em São Paulo.

Como estamos em um ano atípico, pandêmico, com o período de campanha encurtado, Covas e Boulos já começam a todo o vapor nesta segunda (16), mirando o segundo turno, no dia 29 de novembro. Para ajudar a situar os leitores, a coluna reuniu dez fatos da eleição deste domingo (15) na capital paulista.

1) Boulos descolou de França em um ambiente com maior abstenção

A pandemia pode ter levado eleitores mais velhos e menos engajados a não irem votar, abrindo caminho para um crescimento da proporção de jovens e eleitores mais engajados. A abstenção foi de 29,3%, em 2020, maior que os 21,84% da eleição de 2016. Isso pode ter sido uma das razões da redução do voto de Bruno Covas de 38% (Ibope) e 37% (Datafolha) para 32,86% dos válidos. Mesmo assim, venceu em todos os distritos.

Enquanto isso, Guilherme Boulos foi de 16% (Ibope) e 17% (Datafolha) para 20,24% – afastando-se de Márcio França (PSB), que estava colado nele pesquisas. A campanha do psolista afirma que houve uma onda de mudança de voto a seu favor na reta final, puxada em muito pelos jovens. E não apenas os da classe média da região central. Ao contrário do que pregaram analistas, Boulos teve votação expressiva nas periferias, ficando em segundo lugar na grande maioria dos distritos de São Paulo.

2) Russomanno desabou e Arthur do Val deu um sprint final

O que também pode ter refletido no voto jovem e engajado à direita. Arthur do Val (Patriota) foi de 7% (Ibope) e 6% (Datafolha), mas fechou com 9,78% dos votos válidos, ficando à frente de Jilmar Tatto (PT) – 8,65%. Com discurso mais jovem e uma campanha de redes sociais, ele conseguiu engajar esse público bem melhor que Celso Russomanno – que terminou quase empatado com ele, com 10,5%. O deputado federal, dessa forma, cristaliza a sua fama de “cavalo paraguaio”. Essa é a terceira vez que começa em primeiro, mas derrete ao longo da campanha.

3) Tradição da esquerda no 2º turno está de volta

A esquerda vai novamente ao segundo turno de uma eleição em São Paulo, tradição que se repete desde 1992, sendo quebrada apenas em 2016, quando, no auge do antipetismo, Joao Doria (PSDB) ganhou no primeiro turno. A diferença é que, agora, não é um representante do PT, mas do PSOL – partido que nasceu de uma dissidência.

No total, as duas agremiações juntas tiveram quase 29% do eleitorado – número que era considerado a base histórica do partido de Lula na cidade. Boulos contou com apoio, desde o começo, de parte dos militantes e intelectuais do PT que desafiaram a escolha do partido em Tatto e pregaram o voto no coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto desde o começo. Boulos havia dito que se Fernando Haddad lançasse candidatura, ele não colocaria a sua.

Leia matéria completa AQUI