CINEMA EM CASA: A MAIOR DIVERSÃO DE FIM DE ANO

Do Carta Maior

Cinema é a maior diversão foi o mantra cunhado no passado por um empresário carioca, exibidor de filmes e dono de uma grande cadeia de cinemas no Rio de Janeiro.

Neste fim de ano de um novo e temível mundo instaurado pela covi-19 pode-se acrescentar que cinema, se não for a maior é uma das principais diversões dentro de casa. A magia de assistir a um filme na telona de um cinema cedeu lugar – feliz e infelizmente – ao conforto de escolher o cartaz da preferência de cada um, no horário desejado e refestelado(a) numa poltrona.

Carta Maior então elaborou uma pequena relação de filmes a (re)ver nas plataformas digitais durante o recesso de fim de ano, que foram comentados na página, em 2020.

Não se trata de uma lista de ‘melhores filmes’ de um ano atípico e duro, quase inviável para o cinema brasileiro – criação, produção, exibição, conservação e arquivamento e financiamento de filmes – num ambiente hostil a qualquer manifestação de cultura que soma à pandemia e às restrições de mobilidade da população a censura, o autoritarismo e o violento aparelhamento ideológico e religioso sem precedente na história do país e próprios de um estado de exceção – até pior, às vezes, porque mais capcioso, hipócrita e sinuoso que as ditaduras escancaradas.

Não fosse a dedicação, a criatividade e a resiliência dos profissionais do áudio-visual, o ano seria ainda mais sombrio para o cinema nacional.

Mas num esforço notável, o já tradicional Festival de Cinema de Brasília, criado há 55 anos, desta vez em versão virtual, foi produzido com a curadoria do documentarista de maior bilheteria do cinema brasileiro, Silvio Tendler que convidou o cineasta britânico Ken Loach para participar de um debate imperdível.

Enquanto isso, Tendler prepara a sua trilogia Um quebra-cabeça chamado Brasil que começará a ser exibida em 2021. A Bolsa ou a vida é o primeiro título. Trata do falso e canalha dilema vendido à população brasileira pelo (des)governo atual: reza que a saúde é menos importante que a economia. O segundo da trilogia é uma vigorosa defesa do SUS: A saúde tem cura. E o fechopós-pandemia, O futuro é nosso.

Já Loach, o mais importante cineasta vivo e em atividade para milhões de cinéfilos e espectadores de todas as partes, nessa conversa com Tendler colocou algumas observações fundamentais. “Ouvir Ken Loach é um alento para o momento que vivemos no Brasil e no planeta, e é bom saber que ainda existe vida inteligente no mundo”, disse o diretor brasileiro. “Eu, Daniel Blake, é um dos melhores filmes a que já assistí na minha vida. Loach é gênio”.

A obra dos docs clássicos de Tendler está aberta no Youtube para quem desejar (re)visitá-la: Os Anos JK, Jango, Dedo na ferida, Militares da democracia, O veneno está na mesa, Marighella, Encontro com Milton Santos, entre outros.

Sobre Loach, aqui, abaixo, algumas das suas intervenções durante o Festival de Brasília:

“Não queremos apenas mostrar uma pessoa desempregada sofrendo, e sim questionar o porquê desta pessoa estar desempregada”.

”Apesar do trabalho realista e do documentário, que de alguma forma mostram a realidade”, diz ele, há uma diferença entre os dois: “Nós montamos três conjuntos de câmeras e rodamos a cena quatro ou cinco vezes em cada uma delas até alcançarmos o resultado desejado. Em documentário não se faz isso. As técnicas são muito diferentes, mas o senso de autenticidade e a intenção são parecidas”, explica o vencedor da Palma de Ouro de Cannes duas vezes.

“Nós vemos uma extrema direita que se diz a voz do povo, mas na verdade ela fala pela classe dominante”. Loach sugere Karl Marx como uma boa leitura para os tempos atuais. “Não dá para entender o mundo e a história sem ler um pouco de Marx. O sistema tem que ser do público e para o público e deve seguir os interesses do público e não uma fonte de lucro para grandes empresas”. Sobre o SUS: ”O Sistema Unificado de Saúde (SUS) brasileiro é baseado no National Health Service (NHS) britânico, modelo de sucesso de saúde pública para o mundo inteiro”.

Loach propõe o socialismo como uma única possibilidade: “Nunca passamos por uma época como a que estamos vivendo, em que o planeta corre o risco de se tornar inabitável. A única maneira de resolver este problema é por meio de um trabalho coletivo no qual as pessoas utilizem os recursos do mundo de forma sustentável”.

Ele se diz ocupado em ”sobrevier a esta pandemia”, e não sabe bem o que planejar para o futuro. Mas ” uma possibilidade é fazer um filme apontando a questão social deste momento de crise sanitária”.

Loach, de 84 anos, comenta que se sente como ”um carro estacionado numa garagem há um ano; e ainda não sei se vou ligar o motor”, ele brinca. Mas promete e garante que não pretende parar de fazer cinema.

Para entreter-nos e nos acompanhar nos próximos dias, que, esperamos, expirem o mais cedo possível, aqui está o cinema como a maior diversão. Os filmes são estréias recentes ou reprises, muitos roteiros políticos, documentários cada vez mais frequentes, uma animação e música.

Abaixo, as sugestões cinematográficas no streaming.

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Bacurau

Melhor filme de 2020 na categoria estrangeira pela New York Film Critics Awards, considerada a prévia do Oscar. | bit.ly/3h4DNhj | bit.ly/37xfk13
No Google Play, Youtube, Now, Telecine

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Cena de 'O dilema das redes' (Divulgação)

O dilema das redes

bit.ly/3pafH7P | bit.ly/37BWtC2

Na Netflix

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Você não estava aqui

bit.ly/3nCcDB0Em Youtube, Google Play,Telecine Play, Now

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(Divulgação)


AmarElo

bit.ly/3p1U3mh

Na Netflix

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(Divulgação)

Os sete de Chicago
bit.ly/34MiJaL

Na Netflix

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Encantado – O Brasil em desencanto

bit.ly/2WyykWz

No Amazon Prime Video

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(Divulgação)

Os agentes do caos

bit.ly/36I5IQQ

HBO Go

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(Divulgação)

Aos Olhos de Ernesto

bit.ly/3pe38bp

No Canal Brasil dia 23, às 21h30 e reapresentações no domingo, dia 27/12, às 10h50; segunda, dia 28/12, às 18h; e terça, dia 29/12, às 15h25; Também no Now

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Miles Davis, o inventor do cool

bit.ly/2Km8LWq

No Youtube

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Fico te Devendo uma Carta sobre o Brasil

bit.ly/3h63DBI

Na Globo Play

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(Reprodução)

O Conto das Três Irmãs
bit.ly/2WwdK9l

No NOW

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(Reprodução)


Miss Simone

bit.ly/34vJXCb

Na Netflix

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Os Olhos de Cabul

bit.ly/2WypwA4

No Youtube, Google Play e NOW

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A Partida

bit.ly/2LXr0SF

No NOW, Vivo e Looke

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Cena de 'Piazzolla - os anos do tubarão' (Reprodução)

Piazzolla, os anos do tubarão

bit.ly/3p2a2ka

No HBO dentro do NOW

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(Divulgação)


Mank


bit.ly/3att3rN

Na Netflix

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Observações

1. Alguns filmes são retirados de plataformas sem aviso prévio. Por este motivo sempre que possível informamos opções.

2. Para quem quer ver ou rever mais filmes brasileiros a sugestão é vasculhar nas nestas plataformas: Spcine Play, Canal Brasil Play, Vídeo nas Aldeias, no Afroflix, Embaúba, Petra Belas Artes à la Carte, Cinemateca Brasileira, Olhar de Cinema, Google Play, Vivo, Looke, Now, Globo Play, Apple, Netflix, Amazon e HBO.