GASTANÇA

Por Pensar a História

A crise humanitária no Brasil em 2021 deve ser a maior em décadas. O aumento do desemprego, o fim do auxílio emergencial, a disparada do preço dos alimentos básicos nos supermercados e a pandemia de COVID-19 devem levar o país a uma situação de caos. Estima-se que 10,3 milhões de brasileiros já estejam com dificuldades alimentares – um número que deve dobrar nos próximos meses.

Dezenas de milhões de pessoas serão jogadas na pobreza extrema. No mundo da Barbie verde-oliva, a realidade é outra. Após promover severos cortes nas pastas da saúde e da educação e praticamente desmontar o setor de ciência e tecnologia, o governo Bolsonaro aumentou em 48,8% o orçamento das Forças Armadas. Pela primeira vez na história recente, o governo brasileiro vai gastar mais dinheiro com os militares do que com a educação.

Como não estamos em guerra e pintar meio-fio não demanda tantos recursos, a maior dificuldade que nossos generais estão enfrentando, aparentemente, é buscar maneiras criativas de onde enfiar tanto dinheiro.

Depois de se entupirem com 15 milhões de reais em leite condensado, comprarem bombons a 89 reais a unidade, 700.000 quilos de picanha e 80.000 garrafas de cerveja puro-malte, o Exército decidiu comprar equipamentos esportivos de luxo para usufruto da Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN). O Exército vai gastar quase 10 milhões de reais na compra dos itens, que tem o objetivo de “estreitar os laços de amizade entre a Marinha, a Aeronáutica e o Exército” em treinos de instrução.

A lista de materiais inclui 28 bicicletas especiais de fibra de carbono para a prática de triatlo – cada uma custando 26,3 mil reais. Serão quase 800 mil reais apenas em bicicletas. Há ainda dezenas de jaquetas para esgrima de 1,6 mil reais, calças táticas de 5,5 mil reais e jaquetas de tiro de 3 mil reais.

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