COZINHAS SOLIDÁRIAS DO MTST COMBATEM A FOME NAS PERIFERIAS EM MEIO À PANDEMIA

As chefs Paola Carosella e Bel Coelho se unem ao MTST de Guilherme Boulos no projeto Cozinhas Solidárias: quem tem fome, tem pressa

A solidariedade diante da fome que voltou a assolar milhões de brasileiros por todo o país uniu chefs de renome e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Live realizada nesta segunda-feira (15) reuniu lideranças do movimento como Guilherme Boulos e Debora Pereira, e a chef Bel Coelho para o lançamento do projeto Cozinhas Solidárias. No sábado (13), a primeira unidade foi inaugurada no Jardim Damasceno, bairro da Brasilândia. O evento, no extremo norte da cidade de São Paulo, contou com a participação de Boulos e da chef Paola Carosella. “Se a gente não faz, não tem quem faça”, disse Debora Pereira, no lançamento do projeto. “Ao pegar as marmitas, as pessoas enchem os olhos de lágrima. Ela não sabiam se iam comer naquele dia. A fome dói e dói de verdade.”

A proposta do MTST é lançar uma unidade por semana e inaugurar 16 cozinhas comunitárias em 10 estados brasileiros (AL, CE, GO, MG, PE, RJ, RO, RS, SE, SP), além do Distrito Federal, até o final do próximo mês. As próximas serão em Maceió, no estado de Alagoas, e em São Gonçalo, no Rio. O objetivo é servir ao menos uma refeição diária gratuitamente para a comunidade de cada local, nas periferias urbanas, incluindo dias de semana e finais de semana, informa o MTST. “Além da distribuição de refeições completas e balanceadas, o projeto dialoga e abraça, diretamente, uma importante iniciativa: o cultivo de hortas urbanas comunitárias nas periferias, que fornecerão alimentos para as cozinhas solidárias e, sempre que possível, para doação às comunidades próximas.”

Culpa do genocida

As refeições distribuídas estarão disponíveis apenas para retirada. O objetivo é evitar o consumo no local e aglomerações sem o uso de máscaras na hora da alimentação.

A chef Bel Coelho tem mais de 10 anos na militância pela alimentação de qualidade. “Essa luta contra a fome é muito antiga no Brasil. A gente chegou próximo a uma possível erradicação da fome nos anos 2000”, lembrou durante a live desta segunda-feira. “Mas no primeiro dia do mandato de Bolsonaro, ele rompeu com todos os órgãos consultivos que trabalharam para isso”, criticou a chef, mencionando a atuação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) nos governos petistas no combate à fome no Brasil. “Foi um símbolo muito importante de todos os problemas que iríamos enfrentar.”

Para Bel Coelho, o aumento da miséria e da fome no país não são relacionados somente à pandemia. “É por causa de um projeto de governo absolutamente genocida”, afirmou a chef, que trabalha no centro de São Paulo. “Fazia muitos anos que não via tanta gente em situação degradante na rua, pedindo comida, revirando lixo, comendo comida estragada”, lamentou.

O desperdício de alimentos também foi alvo das críticas da chef de cozinha. “Desperdiçamos um terço dos alimentos, de verdade ou industrializados, em uma cidade rica como São Paulo, com o maior centro de distribuição da América Latina como o Ceasa. Só o que tem de desperdício ali, resolveria o problema da fome em São Paulo”, disse. “Além da esfera federal que é uma tragédia absoluta, o governo estadual e municipal também não fazem nada.

PUBLICADO POR ORIGINALMENTE POR RBA