ONS PREVÊ RESERVATÓRIOS QUASE VAZIOS E “PERDA DO CONTROLE HIDRÁULICO” NO SEGUNDO SEMESTRE

Em nota, operador do sistema elétrico pede medidas para evitar novo racionamento

Por Douglas Gravas

Os reservatórios de ao menos oito usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste podem estar praticamente vazios até novembro, segundo um alerta feito pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), por meio de uma nota técnica.

A previsão é que ocorra a chamada “perda do controle hidráulico”, o que implicaria em restrições ao atendimento energético nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste.

“Considerando-se as previsões de afluência [entrada de água] obtidas com a chuva de 2020, prevê-se a perda do controle hidráulico de reservatórios da bacia do rio Paraná no segundo semestre de 2021”, afirma o documento.

A nota diz, ainda, que os principais reservatórios da bacia do rio Paraná devem chegar ao fim do período seco em níveis de armazenamento considerados críticos. O documento foi enviado ao Ministério de Minas e Energia e para a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento).

Pelo relatório, os reservatórios de Furnas, Itumbiara, São Simão, Nova Ponte e Emborcação devem esgotar seus volumes úteis antes do fim do período seco. Já os de Mascarenha de Moraes, Marimbondo e Água Vermelha devem terminar o período seco com nível bem crítico de armazenamento.​

Os diretores da entidade recomendam flexibilizações para impedir que os reservatórios fiquem totalmente vazios e que isso afete o fornecimento de energia.

A falta de chuvas é tida como crítica na região da bacia do rio Paraná, que concentra usinas hidrelétricas importantes, como Jupiá, Ilha Solteira e Porto Primavera.

Na última terça-feira (1°), a ANA acatou um pedido para declarar emergência hídrica na bacia do Paraná. Com a medida, é permitida a limitação de volumes de captação de água nos rios.

No fim de maio, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) se reuniu para avaliar a situação do sistema e concluiu que ela é delicada. Dados do ONS apontam que o volume de chuvas em maio se manteve abaixo do normal e a entrada do país no período seco também liga um sinal de alerta. ​

Com a piora do cenário de chuvas, o governo decidiu buscar usinas térmicas sem contrato em uma tentativa de reforçar a capacidade de geração no país. Desde o fim de 2020, o ONS já está autorizado a utilizar toda a capacidade térmica disponível.

A decisão vai ter impacto na conta de luz dos brasileiros —e, consequentemente, na inflação—, tanto pela cobrança de uma taxa extra para custear as usinas quanto pela perspectiva de maiores reajustes das tarifas das distribuidoras.