O GOLPE FRUSTRADO E O GOLPE QUE AVANÇA

Bolsonaro jamais se interessou por voto impresso; seu pleito visava e visa a uma
tentativa de desestabilizar o processo eleitoral. – Imagem: Marcos Corrêa/PR

Por Roberto Amaral /Carta Capital

Nossas forças, por assim dizer, armadas não estão preparadas para a defesa nacional. Além de desequipadas para o enfrentamento a qualquer ameaça externa digna de respeito (pois 75% dos gastos da Defesa são consumidos com salários, aposentadorias e pensões paras filhas de oficiais), suas operações dependem da supervisão do Pentágono, que as condiciona, mediante o monopólio do fornecimento de armas e munições (de segunda linha ou obsoletas), e as controla do ponto de vista político-ideológico, sempre na contramão de nossas necessidades.

A carência, porém, se transforma em potência, quando se trata da defesa do statu quo.

No Império, os militares se fizeram fiadores da ordem escravocrata herdada da Colônia; na Primeira República atuaram como gendarmes do latifúndio, e é de sua responsabilidade única o massacre de Canudos, com o assassinato de milhares de camponeses famélicos que no inóspito semiárido nordestino, corridos de todos os rincões do chamado polígono das secas, simplesmente lutavam por terra para nela plantar, e com seu fruto matar a fome ancestral. Na modernidade, as forças armadas tomaram a si a segurança do capital monopolista, desapartado do interesse nacional, sócio de uma burguesia desenraizada da nação, porém presa aos pregões da City e de Wall Street. A nação não poderia prevalecer em uma história de dependência, econômica e e ideológica aos impérios dominantes: Portugal, Inglaterra e EUA. Sustentáculo desse regime iníquo, as forças armadas se transformaram, na República, em instrumento de intranquilidade institucional, tantas foram suas intervenções, golpes de estado e ditaduras que promoveram, em nome de um monárquico “poder moderador” de que se dizem portadoras, para melhor exercer inaceitável curatela sobre a nação e suas opções políticas

Para atender ora ao latifúndio, ora aos ganhos de uma burguesia apátrida, ora aos interesses da geopolítica do imperialismo, os generais, recém-chegados de seus cursos de formação nas escolas de guerra dos EUA, tomaram partido numa Guerra Fria que não nos dizia respeito e, consumida esta, continuaram atuando como braço do Pentágono. Essa devoção ideológica periodicamente reavivada explica o papel nada republicano dos fardados, interferindo desabusadamente na vida política do país. Nenhum desses eventos, que entulham a vida republicana, teve como leitmotiv o interesse nacional. Agiram sempre por procuração, a serviço da geopolítica do grande irmão do norte associado internamente ao grande capital e à alienação de uma burguesia cujos interesses jamais comungaram com os interesses do país e de seu povo.

Sem história própria por preservar, os militares desempenham o papel de abnegados servidores do sistema.

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