TRISTES DIAS

Estamos soterrados em pilhas de equívocos, mentiras e malefícios sem fim

Por Eleonora Santa Rosa – “Pátria-Cratera”

Por temperamento e formação, não sou partidária da lamentação, do murmúrio, do resmungo ou do suspiro.

Mesmo assim, difícil não deixar-se contaminar pelo clima dessas últimas semanas, tristeza pelo que o país se transformou, do lugar soturno e melancólico em que nos encontramos, da cisão cada vez maior entre patrícios e do espraiamento do ódio, da rudeza e estreiteza mental de norte a sul.

Melancolia e inconformidade com as ações e incitamentos do vulgar mandatário da nação, hoje, amesquinhada, a cada dia menor e mais infiltrada por preconceitos, desmandos e autoritarismos, que testemunha seus cidadãos serem convocados à violência, ao armamento estúpido e desnecessário, à demonização do Estado de direito.

Não há como escapar à dura perigosa realidade que nos invade diariamente, com o crescente desvario presidencial, com o silencioso servil e omissão de muitos que, por obrigação constitucional, deveriam manifestar-se in totum contra o golpe que se engendra à luz do dia e nos subterrâneos cavilosos da insidia e da perfídia.

Com tanto a ser feito, com tanto atraso e injustiça a serem superados, com tanta miséria e outras mazelas em progressão geométrica a serem resolvidas, estamos soterrados em pilhas de equívocos, mentiras e malefícios sem fim.

Tempo perdido, de intolerância e amargor que será cobrado brutalmente. Contabilidade de estragos e perdas implacáveis, cujo resultado catastrófico será debitado à conta de todos os habitantes da pátria-cratera, por anos a fio.

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