ENQUANTO PAÍSES TENTAM DERRUBAR PREÇO DO PETRÓLEO, BRASIL SE OMITE DO ENFRENTAMENTO

Para o Dieese, medida intencionada pela Casa Branca comprova o quanto o mercado de petróleo está muito longe de ser um mercado de livre concorrência

Rede Brasil Atual

A importância do preço do petróleo para a economia global ficou novamente evidente ontem (23), quando os Estados Unidos anunciaram aliança inédita com outros países, inclusive a China, para tentar derrubar a alta. Em discurso na Casa Branca, o presidente Joe Biden afirmou que os EUA irão recorrer a suas reservas estratégias com objetivo de influenciar nos preços dos combustíveis, que dispararam no país. 

Além da China, outras nações com consumo importante de energia, como Índia, Japão, República da Coreia e Reino Unido, participam da iniciativa. Ao todo, 50 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos Estados Unidos foram liberadas por Biden. 

Mas o impacto da ação na economia mundial é de difícil precisão, segundo o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior. Uma vez que as próprias reservas “têm pouca capacidade de a longo prazo reduzir o preço do petróleo”, avalia. 

Para Fausto, trata-se de forçar a negociação entre os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para que o preço do petróleo ceda. “Então, é uma espécie de queda de braço entre os que têm o monopólio da produção. E que visa a um rearranjo dos maiores consumidores do mundo”, resume o especialista em sua coluna na Rádio Brasil Atual

Mundo reage, Brasil se omite

O diretor técnico do Dieese, ao avaliar a repercussão dessa “queda de braço” no Brasil, observa como esse mercado está longe da dita livre concorrência. Basta ver como o governo Bolsonaro administra isso no Brasil, compara. O debate também mostra que os países devem se organizar internamente para derrubar os preços. Fausto chama atenção para o modo como o mundo está reagindo. Enquanto o Brasil, afere, “simplesmente repassa (os custos) ao consumidor e há pouca ação do Estado de verdade para tentar enfrentar tudo isso”. 

“Esse é um debate muito importante porque o preço da gasolina no Brasil é um dos elementos da alta na inflação”, observa o Dieese. “É bom lembrar que um dos argumentos do Biden, e outros, é que o lucro, os dividendos da grande petrolífera (privada), Big Oil, bateu recorde ao longo deste ano. Em especial puxado pela maior demanda da reativação econômica. O Brasil, inclusive, teria capacidade de lidar com isso de maneira mais tranquila do que EUA e China. Porque sua grande empresa é estatal e ela mantém uma quantidade de petróleo muito próxima ao seu consumo, vai no sentido oposto.”

Sem PPI, gasolina custaria hoje R$ 4,40 

O diretor técnico critica ainda a escolha do Brasil de continuar atrelando a política de preços ao mercado internacional, o Preço de Paridade de Importação (PPI) em curso desde o governo de Michel Temer e mantido pelo atual. “Há um desmonte do sistema da Petrobras. Um claro movimento do governo na direção da privatização de reservas estratégicas, como estamos assistindo com a privatização do pré-sal. Assim, é um tanto quanto sem sentido a política que vem se operando na Petrobras hoje”, alerta. 

O Observatório Social da Petrobras (OSP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) revelam que, sem a PPI, a gasolina poderia ser vendida no Brasil a R$ 4,40. Pelo menos 35% mais barato do que o valor médio, de R$ 6,75, comercializado nos postos de abastecimento entre 14 e 20 de novembro, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). 

Na omissão do governo, o OSP e a FNP promovem nesta quinta-feira (25) uma ação solidária que venderá a gasolina a R$ 4,40 para motoristas e entregadores por aplicativo. A iniciativa foi batizada de “Dia Nacional da Gasolina sem PPI” e será realizada pelos sindicatos que compõem a FNP nas cidades paulistas de São José dos Campos, Santos e Caraguatatuba. A ação também ocorrerá em Angra dos Reis (RJ) e Manaus. No total, serão comercializados 12 mil litros de gasolina. Para ter acesso, no dia será necessário preencher uma ficha de cadastro e curtir as páginas do Observatório Social da Petrobras nas redes sociais.

Redaç˜ão: Clara Assunção

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