POR QUE EVANGÉLICOS ESTÃO DEIXANDO DE APOIAR BOLSONARO E QUAIS SERIAM AS CONSEQUÊNCIAS EM 2022?

Por Felipe Camargo e Ana Livia Esteves /S.News.

A Sputnik Brasil conversou com Rafael Rodrigues da Costa, sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela Unifesp e pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia (UFBA), para compreender o declínio de Bolsonaro entre os evangélicos.

Aparentemente, o apoio de Bolsonaro entre os evangélicos parece estar com os dias contados. De acordo com a última pesquisa Datafolha, 29% dos evangélicos consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, sendo este o menor índice já registrado desde que assumiu o poder.

Para compreender este declínio do presidente Jair Bolsonaro, a Sputnik Brasil conversou com Rafael Rodrigues da Costa, sociólogo, mestre em Ciências Sociais pela Unifesp e pesquisador visitante da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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PUNIR OS RESPONSÁVEIS PELO QUE O PAÍS QUER ESQUECER

Memorial em homenagem às vítimas de covid-19 em Cuiabá.SEBASTIÃO MOREIRA (EFE)

É difícil vivenciar o luto por 606.000 mortos pela covid-19 sob um Governo que humilhou os brasileiros ao longo da pandemia

Por Carla Jimenez/El País

O Brasil mergulhou numa tristeza profunda com a pandemia do coronavírus. A evolução das mortes por covid-19 desde março de 2020 abriu um vale de lágrimas, ao menos entre os que não esqueceram de vivenciar sua humanidade com a empatia de ver seu semelhante sofrer. Foram notícias devastadoras, famílias dizimadas, o país ficou cinza, num luto duradouro. Mães que foram embora e deixaram crianças órfãs. Pais que perderam seus filhos, avôs, irmãos, médicos e enfermeiros que adoeceram atuando na linha de frente para salvar quem se asfixiava pelos efeitos do coronavírus. Artistas queridos foram embora.

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O BRASIL PERDE UMA LIVRARIA A CADA TRÊS DIAS

País tem uma loja de livros a cada 96 mil habitantes – muito longe da proporção que
a Unesco considera ideal, uma a cada 10 mil
( IMAGEM : Repdrodução)

Brasil perde uma livraria a cada três dias e pequenos livreiros apostam em nichos para sobreviver nesse mercado

“Parece um chavão, mas manter uma livraria hoje no Brasil é um ato de resistência. Não é fácil.” Em tom de desabafo, a frase dita pelo livreiro, editor e escritor João Varella resume bem a situação das casas do ramo que existem hoje no Brasil. Ele próprio é um dos que nadam contra o fluxo: em 2014, ele abriu a Banca Tatuí, em São Paulo, e quatro anos mais tarde, quase em frente, a Sala Tatuí.

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ÀS VEZES SIMPLIFICAR AS COISAS AJUDA A ENTENDÊ-LAS MELHOR

“O prefeito não tem noção de ciência, mas diz que é melhor ignorar o vírus e continuar agindo como antes”

Era uma vez um vilarejo atingido por uma doença. Os sábios sabiam o que fazer para freiar o vírus. A maioria do vilarejo seguiu as orientações. Só o prefeito e seus seguidores trabalharam contra.

Por Philipp Lichterbeck / DW.

Às vezes imagino que vivemos num vilarejo com cerca de 500 habitantes. Um dia, chega a esse vilarejo uma nova doença viral, contra a qual não há medicamentos. O vírus ainda não foi estudado e se espalha pela localidade. Algumas pessoas ficam tão gravemente doentes que o pequeno hospital do vilarejo logo fica lotado, e cada vez mais pessoas morrem. Outros também adoecem, mas apresentam apenas sintomas leves. Somente com o tempo se percebe que eles também podem sofrer consequências de longo prazo.

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POCHMANN: É NECESSÁRIA NOVA ABOLIÇÃO

No século XIX, os homens mais ricos do Brasil eram traficantes de escravos. Economia chafurdava na infâmia e no atraso, mas alguns faziam fortuna. Rentismo ocupa hoje o mesmo lugar. País precisa asfixiá-lo, para voltar a ter esperança

Por Marcio Pochmann

No século XIX, o perfil dos principais ricos no Brasil estava associado ao tráfico negreiro. Os casos de José Francisco dos Santos (Zé Alfaiate), Joaquim Pereira Marinho e Joaquim Ferreira dos Santos exemplificavam o quanto o comércio escravista era altamente lucrativo, permitindo que figurassem na cúpula da riqueza do Brasil imperial (1822-1889).

Isso porque somente o Brasil respondeu por quase 40% do total dos 12,5 milhões de traficados da África sob a denominação de escravidão moderna. Navios de bandeira inicialmente portuguesa e, posteriormente, brasileira realizaram mais de nove mil viagens para traficar africanos entre 1530 e 1850, sendo que cerca de 50% delas foram realizadas apenas durante a primeira metade do século XIX, para trazer 2,3 milhões de escravos (47% do total de africanos trazidos se considerados os 320 anos).

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BOLSA FAMÍLIA X AUXÍLIO BRASIL

Auxílio Brasil é um retrocesso que corrói rede de proteção social

Por Denise De Sordi – Historiadora, pesquisadora do programa de pós-doutorado do Departamento de Sociologia da USP

[resumo] Pesquisadora argumenta que o Auxílio Brasil, programa de transferência de renda proposto pelo governo Bolsonaro, é um retrocesso que desmancha a rede de proteção social articulada pelo Bolsa Família nos últimos anos, uma vez que moraliza o debate sobre desigualdade, legitimando a ideia de que os trabalhadores empobrecidos são responsáveis pela pobreza, ao mesmo tempo em que isenta as políticas governamentais em relação ao quadro atual

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