PAPA DESAFIOU CATÓLICOS A LER A “DIVINA COMÉDIA” ESTE ANO

A exploração de Dante do mundo espiritual Afresco de Michelino (Jastrow/Wikimedia)

Convite de Francisco coincide com os 700 anos da morte de Dante Alighieri

Por Douglas V. Henry*

Desde 2015, Gallup publica anualmente o Relatório de emoções globais, que estranhamente afirma ser uma “medida de tudo que faz a vida valer a pena”. O último relatório aponta que 2020 foi um ano recorde para emoções negativas, com “experiências de estresse, preocupação, tristeza e raiva” em níveis históricos. Essas descobertas não são surpreendentes. As recentes convulsões econômicas em muitas áreas ao redor do mundo aumentaram o hiato de riqueza e exacerbaram a estratificação social, ambos alimentando o estranhamento, o ressentimento e o cinismo. Paralelamente a tudo isso, persistem outras realidades: uma pandemia global que causou mais de quatro milhões de mortes, a consequência de séculos de injustiça racial em muitos países e a prática da política nacional como um esporte sangrento.

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A FELICIDADE DOS ANTIGOS E A INFELICIDADE DO HOMEM MODERNO

Ao contrário dos antigos, o homem moderno perdeu sua harmonia com a natureza, perdeu
a capacidade de ordenar sua vida pela razão

Por Michel Aires de Souza Dias[1] / Jornal GGN

Os antigos gregos pensaram sua existência e ordenavam sua vida a partir da ideia de Cosmo, palavra grega que significa  ordem.  O mundo era compreendido como um todo universal ordenado, possuindo uma racionalidade intrínseca à sua própria natureza. O problema ético de como devemos viver a vida era determinada por essa noção.  O conhecimento visava um aprimoramento da vida interior e deveria determinar as normas universais da própria existência. Cabia a cada qual, através da razão,  buscar as normas universais que deviriam guiar sua própria existência, propiciando o conhecimento de como enfrentar as adversidades da vida,  de como se viver melhor e de como atingir a serenidade interior. A vida dos antigos tinha uma finalidade (telos), deveria ser guiada pela ideia de natureza.

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AS TRÊS FRENTES DE ATAQUES ÀS UNIVERSIDADES

Os neoliberais sonham privatizá-las. Os fascistas não escondem seu rancor pela Ciência. E os patrimonialistas rejeitam sua democratização política e racial. Indispensável à reconstrução do país, ensino superior é acossado. Como resistir?

Por Thiago R. Rocha/ Outras Palavras

Nos últimos anos, em meio à programação diária de absurdos com a qual nos habituamos a viver no Brasil contemporâneo, a educação, infelizmente, tem tido um grande destaque, sempre nos fazendo confrontar com discussões sazonais sobre dois temas centrais: do final de 2020 para o início do ano, o recorde no corte de verbas em relação ao exercício anterior e, alguns meses depois, as denúncias sobre o risco de as universidades pararem por – justamente – falta de verba.

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EM LIVRO, A HISTÓRIA DE MULHERES JUDIAS QUE LUTARAM CONTRA O NAZISMO

Duas mulheres da resistência capturadas pelos nazistas na invasão ao gueto de Varsóvia em 1943 (DW)

Do D.W.

É um dia frio de inverno, em fevereiro de 1943, no gueto judeu de Bedzin, uma cidade na Polônia ocupada pela Alemanha nazista. Em meio a casas superlotadas impõe-se um edifício especial: o coração da organização juvenil de judeus Freiheit (liberdade, em alemão) e sede da resistência judaica contra os nazistas.

Mulheres e homens estão ali reunidos para tomar uma decisão memorável. Eles conseguiram obter documentos que lhes permitiram contrabandear algumas pessoas para fora dos territórios ocupados. Deveria então a líder do grupo, a judia polonesa Frumka Plotnicka, usar esses documentos para viajar até Haia e representar a comunidade judaica perante o Tribunal Penal Internacional (TPI)?

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